O livro da vida!!


Entre a consciência e o sonho, me deparei com uma grande sala. Ao me aproximar, percebi um guardião na porta que me disse:
– Ninguém pode entrar aqui. Aqui estão guardados os “Livros da Vida”. Aquele que conseguir passar por esta porta poderá ter acesso ao seu livro e modificá-lo ao seu gosto. Minha curiosidade era grande! Afinal, poderia escolher o meu destino.

Com minha insistência, o guardião resolveu ceder um pouco e me disse:
– Está bem. Dou-te cinco minutos, e nem mais um segundo.

Eu nem acreditava! Cinco minutos era mais que suficiente para que eu pudesse decidir o resto da minha vida, afinal, poderia apagar e acrescentar o que eu quisesse no “Livro da Vida”.
Entrei e a primeira coisa que vi foi o Livro da Vida do meu pior inimigo. Não agüentei de curiosidade. O que será que estava escrito no livro da vida dele? O que será que o destino reservava para aquela pessoa que eu não suportava?
Abri o livro e comecei a ler. Não me conformei. Verifiquei que sua vida lhe reservava muita coisa boa e não tive dúvidas: apaguei as coisas boas e reescrevi o seu destino com uma porção de coisas ruins. Logo vi outro livro de outra pessoa que eu não gostava e fiz a mesma coisa…

De repente me deparo com meu próprio livro! Nem acreditei. Este era o momento… Iria mudar meu destino. Iria apagar todas as coisas ruins e reescrever só coisas boas. Seria a pessoa mais feliz do mundo!
Quando peguei o livro, eis que alguém bate no meu ombro:
– Seu tempo acabou, pode sair.
Fiquei atônito!
– Mas eu não tive tempo nem de abrir meu livro.
– Pois é, disse o guardião. Eu te dei cinco minutos preciosos e você poderia ter modificado o seu livro, mas, você só se preocupou com a vida dos outros e não teve tempo de ver a sua.

Anúncios

Remorso


Texto de Olavo Bilac – sugestão  Walter de Sousa

Às vezes uma dor me desespera…
Nestas ânsias e dúvidas em que ando,
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.

Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera…
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!

Sinto o que esperdicei na juventude;
Choro neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude.

Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!

Realmente, a tarefa de criar um filhote do bicho homem é imensa.


O biólogo e antropólogo inglês, Desmond Morris, em seu livro “O macaco nu”, best seller dos anos 1970, defendia a tese de que, o que chamamos de amor, na relação homem e mulher, nada mais é que um mecanismo biológico que, através de estímulos químicos, garante o vínculo, a aproximação entre o macho e a fêmea da espécie humana, com a finalidade de garantir a procriação e os cuidados com a cria.

Desmond Morris, fazendo um estudo comparativo com outras espécies, diz ainda que o filhote do homem é, ao nascer, um dos mais frágeis e despreparados para enfrentar os desafios da vida. Enquanto que um filhote de gnú, por exemplo, logo após nascer tem cinco minutos para aprender a andar e 10 minutos para aprender a correr na pradaria africana, caso contrário vai virar comida de leão, o filhote de gente é absolutamente dependente dos pais por muitos e muitos anos.

Realmente, a tarefa de criar um filhote do bicho homem é imensa. Daí a necessidade do amor que cria os laços familiares, pela via do afeto, e garante o cuidado, compartilhado por pai, mãe, avós, tios, enfim, toda uma estrutura familiar de apoio e proteção à cria.
Acrescentemos a isso a babá, os anos de escola, os amigos, e teremos ideia do quanto somos trabalhosos e dependentes uns dos outros.

Por outro lado, como fruto das mudanças drásticas no relacionamento humano, hoje é cada vez maior o número de mulheres que optam por ter filhos no que é chamado de “produção independente”. Por motivos vários, a figura paterna fica em segundo plano ou sai totalmente de cena, cabendo à mãe a responsabilidade solitária pela educação da criança.

Não é fácil.
Mesmo quando a mãe tem capacidade econômica para arcar com os custos de educar e formar um filho, em todos os sentidos, a ausência do referencial masculino sempre significará um vazio difícil de ser preenchido.
Pai e mãe são, para a criança, modelos de construção da sua relação com o mundo. Afeto e segurança, delicadeza e força, atenção e carinho, cuidado e ternura, são atributos do masculino e do feminino que, combinados, vão dando à criança os referenciais de que ela precisa para estabelecer contato com os desafios do cotidiano.
Quando falta um desses referenciais é impossível que não haja um desequilíbrio na balança.

Por isso é importante destacar que, mesmo com as mudanças radicais acontecidas nas relações entre homens e mulheres do Século XXI, mesmo com todas as mudanças da modernidade, com o avanço das mulheres no mundo do trabalho, certos princípios e papéis continuam insubstituíveis.
Pode até haver, hoje, um ex marido. Mas não dá pra ser um ex pai.
Pode até haver uma super mulher. Mas ela não será capaz de dar a seu filho ou filha todos os referenciais para o enfrentamento da vida.
A realidade muda a cada instante, mas a evolução não dá saltos.

Educação precisa ser ideia fixa num país em que se pretenda construir um futuro melhor


Nunca é demais destacar: a Educação precisa ser ideia fixa num país em que se pretenda construir um futuro melhor, com uma vida mais digna para seu povo. Mas, infelizmente, aqui na terrinha brasilis, educação ou serve de discurso para obter votos do eleitor crédulo de plantão, ou é assunto que tende a ser varrido para debaixo do tapete.

Somente neste ano, já tivemos paralisação da rede particular de ensino, que não durou 2 dias. Afinal, o dinheiro vem do bolso dos pais que não aceitam ver o impasse entre empregador e professores esbarrar no direito dos filhos ao estudo. Rapidinho a coisa se resolveu.

Tivemos, também, greve na rede pública municipal que se estendeu por quase 30 dias e terminou, com acordo entre as partes. Mas, infelizmente, a greve dos professores das escolas estaduais se arrasta por mais de 40 dias e os pais de um milhão de alunos prejudicados em todo o Estado não têm a quem reclamar. Quem paga o salário dos professores é o Estado e, embora seja com o dinheiro do cidadão, em tempos de greve, o contribuinte passa a reclamante e o professor a pedinte. E nesse fogo cruzado a maior vítima é o aluno. Sem acordo, a insatisfação cresce de todos os lados e o projeto da educação fica totalmente comprometido.

Crianças e adolescentes que deveriam estar na escola aprendendo, adquirindo conhecimento e sabedoria, discutindo temas como, por exemplo, o ano eleitoral, estão soltos pelas ruas, expostos aos riscos e perigos que conhecemos tão bem nesse nosso Brasil.
Professores que deveriam estar preparados para serem guias dos alunos na aventura do conhecimento, na construção da cidadania, se vêem desvalorizados, desestimulados, sem saber se o minguado salário vai chegar ao menos perto do fim do mês.
O governo, por sua vez, se diz limitado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e os limites da legislação de um ano eleitoral.

O quadro se complica ainda mais quando nos vemos diante do desafio de separar sindicalistas verdadeiramente comprometidos com sua classe e os oportunistas de sempre, futuros candidatos a cargos políticos, que usam as assembléias da categoria como palanque para discursos eleitoreiros.
Não é fácil, não é simples, mas não podemos abrir mão do nosso dever de informar, discutir, buscar soluções efetivas e duradouras.

Os professores lutam por melhores salários e condições de trabalho, convivem com a insegurança nas escolas mas só são notados quando entram em greve, tornando evidente o tumulto causado na vida das famílias e o prejuízo garantido no aprendizado dos alunos, crianças, adolescentes e jovens para quem a escola é artigo de primeiríssima necessidade. É que, nessa terra brasilis, educação é também proteção contra a criminalidade, é garantia de, pelo menos, uma refeição digna por dia, é, enfim, a esperança de um futuro para essa nossa gente humilde.
E, afinal de contas, somos todos, de algum modo, em algum tempo, filhos de gente humilde, guiados por gente humilde mas com a expectativa de uma vida que, apesar de humilde, possa ser plena de dignidade.