Realmente, a tarefa de criar um filhote do bicho homem é imensa.


O biólogo e antropólogo inglês, Desmond Morris, em seu livro “O macaco nu”, best seller dos anos 1970, defendia a tese de que, o que chamamos de amor, na relação homem e mulher, nada mais é que um mecanismo biológico que, através de estímulos químicos, garante o vínculo, a aproximação entre o macho e a fêmea da espécie humana, com a finalidade de garantir a procriação e os cuidados com a cria.

Desmond Morris, fazendo um estudo comparativo com outras espécies, diz ainda que o filhote do homem é, ao nascer, um dos mais frágeis e despreparados para enfrentar os desafios da vida. Enquanto que um filhote de gnú, por exemplo, logo após nascer tem cinco minutos para aprender a andar e 10 minutos para aprender a correr na pradaria africana, caso contrário vai virar comida de leão, o filhote de gente é absolutamente dependente dos pais por muitos e muitos anos.

Realmente, a tarefa de criar um filhote do bicho homem é imensa. Daí a necessidade do amor que cria os laços familiares, pela via do afeto, e garante o cuidado, compartilhado por pai, mãe, avós, tios, enfim, toda uma estrutura familiar de apoio e proteção à cria.
Acrescentemos a isso a babá, os anos de escola, os amigos, e teremos ideia do quanto somos trabalhosos e dependentes uns dos outros.

Por outro lado, como fruto das mudanças drásticas no relacionamento humano, hoje é cada vez maior o número de mulheres que optam por ter filhos no que é chamado de “produção independente”. Por motivos vários, a figura paterna fica em segundo plano ou sai totalmente de cena, cabendo à mãe a responsabilidade solitária pela educação da criança.

Não é fácil.
Mesmo quando a mãe tem capacidade econômica para arcar com os custos de educar e formar um filho, em todos os sentidos, a ausência do referencial masculino sempre significará um vazio difícil de ser preenchido.
Pai e mãe são, para a criança, modelos de construção da sua relação com o mundo. Afeto e segurança, delicadeza e força, atenção e carinho, cuidado e ternura, são atributos do masculino e do feminino que, combinados, vão dando à criança os referenciais de que ela precisa para estabelecer contato com os desafios do cotidiano.
Quando falta um desses referenciais é impossível que não haja um desequilíbrio na balança.

Por isso é importante destacar que, mesmo com as mudanças radicais acontecidas nas relações entre homens e mulheres do Século XXI, mesmo com todas as mudanças da modernidade, com o avanço das mulheres no mundo do trabalho, certos princípios e papéis continuam insubstituíveis.
Pode até haver, hoje, um ex marido. Mas não dá pra ser um ex pai.
Pode até haver uma super mulher. Mas ela não será capaz de dar a seu filho ou filha todos os referenciais para o enfrentamento da vida.
A realidade muda a cada instante, mas a evolução não dá saltos.

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