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Capitonê ganha cada vez mais espaço no mobiliário moderno


Consagrado no design, capitonê ganha cada vez mais espaço no mobiliário moderno.

Técnica surgiu na Inglaterra por volta de 1840 e ainda hoje é sinônimo de luxo na decoração.

capitone

O papel de parede 3D é uma das novidades no mercado e agrega valor aos ambientes,como mostram nesta proposta Ana Claudia e Ana Paula Nonato

Ao longo de séculos ele carrega a tradição. De origem inglesa, o capitonê valoriza o trabalho manual da terra da Rainha. Figuras geométricas, geralmente losangos ou quadrados, formados por linhas costuradas presas à estrutura do móvel por botões em seus pontos de interseção, produzindo uma superfície ondulada, a técnica foi consagrada pelo design. Com ar vintage e retrô, mas perfeita para ambientes modernos, sua escolha significa agregar valor a qualquer espaço ou objeto. “É clássico, mas causa impacto. E sempre dá um toque de luxo”, ressalta a arquiteta Laura Santos, que, ao lado de Fabiana Visacro, criou um pufe sob medida em veludo vermelho para uma sala. Peça que, num espaço clean, se destaca e vira o foco.

Técnica de confecção usada no estofado do século 19 e que cada vez mais ganha espaço no mobiliário contemporâneo, o capitonê é indicado para quem pretende investir numa decoração descolada e prática. Elegante, o estilo teve o auge nas décadas de 1950 e 1960, mas se tornou um clássico e nunca sai de moda. É atemporal. Além de espaço nos móveis (sofás, poltronas, cadeiras, cabeceiras de cama, pufes), ele tem invadido as paredes. A última novidade é o papel de parede 3D.

 

Sinônimo de elegância, o capitonê é bem bacana por causa do efeito dado pelos botões e franzidos. No papel de parede cria um jogo de luz e sombra que torna o ambiente aconchegante. Como chama a atenção, aqui vale a regra básica da decoração, ou seja, sem exageros. Para quem não quer arriscar mudança radical na parede, a dica, além de imagens na internet, é ficar de olho no apartamento da personagem Patrícia, vivida pela atriz Maria Casadevall na novela Amor à vida. Numa das portas da casa há essa textura.

O capitonê aparece ainda aplicados em painéis de tecidos. “O capitonê legal é o real. A imitação, a fabricação em série, é terrível porque perde a originalidade. Recomendo num painel de tecido revestido de espuma e em peças de tecidos nobres como veludo, camurça e seda (nesse caso, em peças mais decorativas, sem o uso pesado do dia a dia).” Fica bonito ainda em couros e vinílicos.

Apesar de tradicional, o sofá ganha ares modernos com cores vibrantes no projeto de Tatiana Pradal (Jomar Bragança/Divulgação)
Apesar de tradicional, o sofá ganha ares modernos com cores vibrantes no projeto de Tatiana Pradal

Para não errar, Laura lembra que “a essência é ter o capitonê em tecidos nobres, já que essa é a sua proposta, o seu conceito. Agregar valor. É possível também fazer releituras unindo o clássico e o moderno, com sofás e chaises em capitonê estampados e em cores fortes, como roxo”.

COMERCIAL 

Mesas de pé de cama em capitonê fogem do convencional e são refinadas. Produto da Lider Interiores (Lider Interiores/Divulgação)
Mesas de pé de cama em capitonê fogem do convencional e são refinadas. Produto da Lider Interiores

Tendência na decoração no mundo inteiro, as peças com aplicações de capitonê ou botonê (outro estilo, técnica parecida) fogem do convencional e são refinados. Rafael Cândido, designer de interior, da Lider Interiores, reforça que o capitonê se tornou moderno ao misturar o estilo clássico e contemporâneo. “A peça em capitonê é bonita, transmite uma sensação de conforto e é um luxo. A modernidade fica por conta de cores fortes e vibrantes. Encaixa em qualquer ambiente e é para todo perfil. O importante é saber dosar. Como causa impacto, não dá para espalhá-lo no sofá, na parede, na cabeceira da cama. Vai ficar over.”

Rafael lembra que o capitonê também é usado em ambientes comerciais, principalmente nas áreas vips e camarotes de casas noturnas, justamente para dar o ar de sofisticação. Aliás, a técnica caiu tanto no gosto das pessoas que, desde 2000, além dos móveis, ela tem invadido a moda em versões coloridas seja em acabamentos de roupas ou em acessórios, como nas bolsas do designer mineiro Rogério Lima que investiu nesse trabalho.

Capitonê x botonê

Vale saber a diferença entre essas técnicas de estofamento tão parecidas. A capitonê leva espuma e é revestida em tecido ou couro com o afundamento de alguns pontos e cobre toda a superfície da peça. O acolchoado é dividido por pontos feitos com cordões ou fios grossos, que formam saliências quadradas ou retangulares. O formato depende da distância em que são inseridos os cordões e, consequentemente, formados os afundamentos. As depressões podem ser profundas ou superficiais. Pode ou não receber botões. Já o botonê é mais simples. Os botões são apenas fixados sobre o revestimento em tecido ou couro e o afundamento é mais superficial. Ele também não precisa aparecer em toda a superfície e pode ser apenas um detalhe no centro.

Capitonê também pode aparecer com requinte na cabeceira da cama, como no quarto assinado por Mila Saraiva (Jomar Bragança/Divulgação)
Capitonê também pode aparecer com requinte na cabeceira da cama, como no quarto assinado por Mila Saraiva

Móveis com assinatura

O primeiro grande designer a criar um móvel de capitonê foi Phillip Stanhope, o Conde de Chesterfield, que imortalizou a técnica, com o sofá Chesterfield, um dos ícones do design. Imponente, o móvel é típico da era Vitoriana (1837-1901). Outra peça das mais famosas é a poltrona Barcelona, de 1929, lançada no Salão Móvel de Milão, e desenvolvida pelo arquiteto modernista Mies van der Rohe. O que ressalta a força do estilo. Há produtos bacanas também de profissionais do peso de Jaime Hayon e Philippe Starck.

Por: Lilian Monteiro – Estado de Minas

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