Nova cadeira de rodas permite que usuários se movimentem em pé


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Nova cadeira de rodas permite que usuários se movimentem em pé

Dispositivo será apresentado em uma conferência médica no próximo mês e deverá chegar ao mercado em 2017

YOQNEAM, Israel (Reuters) – A startup de tecnologia israelense UPnRIDE Robotics está lançando uma inovadora cadeira de rodas vertical e se autoestabiliza em uma conferência médica na Alemanha no mês que vem, e a empresa espera que o dispositivo chegue ao mercado no ano que vem.

Antes disso, a UPnRIDE precisa ser aprovada em duas triagens clínicas, uma com a associação dos veteranos norte-americanos em Nova York, para ajudá-la a obter a aprovação regulatória e garantir que planos de saúde possam ajudar os consumidores com os preços elevados do produto.

A empresa foi fundada por Amit Goffer, 63 anos, que em seu empreendimento anterior, a ReWalk Robotics, criou um exoesqueleto robotizado que ajuda pessoas paralisadas da cintura para baixo a andar.

Mas Goffer, que utiliza uma cadeira de rodas desde um acidente com um veículo off-road em 1997, nunca pode usar sua primeira invenção porque seus ferimentos causaram perda parcial na função de seus braços.

Com a nova cadeira de quatro rodas, que usa um giroscópio similar do patinete elétrico Segway e um software estabilizador, Goffer pode ficar de pé e andar por terreno urbano acidentado e conversar cara a cara com pessoas que estejam de pé.

“A dignidade, autoestima… de se sentir parte da sociedade novamente, do centro da sociedade, não das margens – o efeito psicológico é dramático”, disse Goffer.

Fonte: Portal Administradores 

 

A GRAMA DO VIZINHO


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A GRAMA DO VIZINHO

Por Martha Medeiros

Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma.

Estamos todos no mesmo barco.

Há no ar certo queixume sem razões muito claras.

Converso com mulheres que estão entre os 40 e 50 anos, todas com profissão, marido, filhos, saúde, e ainda assim elas trazem dentro delas um não-sei-o-quê perturbador, algo que as incomoda, mesmo estando tudo bem.

De onde vem isso? Anos atrás, a cantora Marina Lima compôs com o seu irmão, o poeta Antonio Cícero, uma música que dizia:

“Eu espero/ acontecimentos/ só que quando anoitece/ é festa no outro apartamento”.

Passei minha adolescência com esta sensação: a de que algo muito animado estava acontecendo em algum lugar para o qual eu não tinha convite. É uma das características da juventude:

considerar-se deslocado e impedido de ser feliz como os outros são, ou aparentam ser. Só que chega uma hora em que é preciso deixar de ficar tão ligada na grama do vizinho.

As festas em outros apartamentos são fruto da nossa imaginação, que é infectada por falsos holofotes, falsos sorrisos e falsas notícias. Os notáveis alardeiam muito suas vitórias, mas falam pouco das suas angústias, revelam pouco suas aflições, não dão bandeira das suas fraquezas, então fica parecendo que todos estão comemorando grandes paixões e fortunas, quando na verdade a festa lá fora não está tão animada assim. Ao amadurecer, descobrimos que a grama do vizinho não é mais verde coisíssima nenhuma. Estamos todos no mesmo barco, com motivos pra dançar pela sala e também motivos pra se refugiar no escuro, alternadamente.

Só que os motivos pra se refugiar no escuro raramente são divulgados.

Pra consumo externo, todos são belos, sexys, lúcidos, íntegros, ricos, sedutores.

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada/ todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo”.

Fernando Pessoa também já se sentiu abafado pela perfeição alheia, e olha que na época em que ele escreveu estes versos não havia esta overdose de revistas que há hoje, vendendo um mundo de faz-de-conta. Nesta era de exaltação de celebridades – reais e inventadas – fica difícil mesmo achar que a vida da gente tem graça. Mas, tem. Paz interior, amigos leais, nossas músicas, livros, fantasias, desilusões e recomeços, tudo isso vale ser incluído na nossa biografia. Ou será que é tão divertido passar dois dias na Ilha de Caras fotografando junto a todos os produtos dos patrocinadores? Compensa passar a vida comendo alface para ter o corpo que a profissão de modelo exige? Será tão gratificante ter um paparazzo na sua cola cada vez que você sai de casa? Estarão mesmo todos realizando um milhão de coisas interessantes enquanto só você está sentada no sofá pintando as unhas do pé? Favor não confundir uma vida sensacional com uma vida sensacionalista.

As melhores festas acontecem dentro do nosso próprio apartamento.

 

 

EX-CAMELÔ TEM MARCA DE SAPATOS QUE FATURA R$ 5 MILHÕES


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EX-CAMELÔ TEM MARCA DE SAPATOS QUE FATURA R$ 5 MILHÕES

David Gonçalves começou trabalhando nas barracas de sapatos do pai na zona leste de São Paulo

Quando David Gonçalves nasceu, seu pai já administrava quatro barracas de calçados em feiras na zona leste de São Paulo. Durante a infância, Gonçalves aproveitava as férias escolares para trabalhar nos pequenos negócios do pai. Estas experiências foram essenciais para que ele começasse a empreender no ramo, anos depois.

Formado em administração de empresas, o empreendedor trabalhou no grupo Pão de Açúcar e em outras empresas de varejo até que decidiu abrir o próprio negócio. Em 1990, Gonçalves criou a consultoria de marketing Índice da Moda e conquistou o primeiro cliente, a marca de sapatos Democrata. “Na época, o fornecedor precisava mudar o nome da empresa que, antigamente, era Diplomata, porque já havia um registro deste nome no Rio de Janeiro.” A companhia cresceu e passou a atuar em todo o estado de São Paulo sob a gestão de Gonçalves.

Com os sapatos sempre presentes em sua trajetória, três anos depois, Gonçalves resolveu voltar às origens e investir na venda de calçados, criando a The Craft. Ao contrário dos modelos vendidos pelo pai nas feiras de rua, a nova marca foi pensada para agradar executivos. Os sapatos masculinos são feitos 100% de couro e confeccionados manualmente. “Queria fornecer produtos que tivessem um estilo global e uma loja onde os executivos de grandes corporações pudessem comprar sem sair do Brasil.”

Para criar a The Craft, o empreendedor contou com a ajuda dos filhos, Thales e Pedro, para desenvolver projetos e criar modelos, formas e conceitos exclusivos para os produtos da marca. “Atendemos homens de negócios que necessitam estar bem arrumados no dia-a-dia”, afirma Gonçalves.  Os sapatos custam de R$ 399 a R$ 598. Atualmente, a empresa tem quatro lojas em São Paulo.

Desde o surgimento da primeira unidade, em 2010, a família já investiu R$ 5 milhões na marca. No ano passado, a The Craft faturou R$ 4,7 milhões e espera aumentar este valor em 2016, investindo em franquias, parcerias com multimarcas no Brasil e no exterior e em uma linha de calçados esportivos.

Márcia Malsar: Os passos de uma heroína na Paralimpíada do Rio


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Márcia Malsar: Os passos de uma heroína na Paralimpíada do Rio

Ao cair e se reerguer na cerimônia de abertura da Paralimpíada, Márcia Malsar dá (mais) uma lição de como sobrepujar a adversidade

Por ironia, a cena mais tocante da cerimônia de abertura da Paralimpíada estava fora do roteiro que havia sido planejado em minúcias. Ante um Maracanã lotado na noite da quarta-feira, dia 7, quatro personagens foram destacados para conduzir a tocha até o acendimento da pira, um ritual inescapável nesse tipo de solenidade. O segundo trecho do percurso coube à ex-paratleta Márcia Malsar, de 56 anos, que na década de 1980 fez história ao competir no grupo de pessoas com paralisia cerebral. Por obra do imprevisto, ela se tornou a maior protagonista de uma festa repleta de heróis e heroínas. Sob um dilúvio que atingiu o local poucos minutos antes, Márcia recebeu a tocha de Antônio Delfino, que teve a mão direita amputada ainda jovem. Ela pegou o símbolo olímpico com a mão esquerda, enquanto a direita servia para apoiar a bengala de quatro apoios. E assim ela partiu, pé ante pé sobre um carpete encharcado. Foram 139 passos até perder o equilíbrio e tombar junto com a tocha, àquela altura escorregadia. De imediato, duas pessoas do apoio correram para socorrê-la. Márcia levantou-se do chão, pegou novamente o apetrecho e foi em frente em sua caminhada heroica. Mais 89 passos curtos e chegou a seu destino, passando o bastão adiante, sob uma ovação da plateia sem igual naquela noite.

>> Emoção na abertura da Paralimpíada

A sequência toda, que durou dois minutos e meio, se presta a diversas parábolas. Resume a determinação inerente a todo atleta paralímpico para suplantar percalços que se revelam, quase sempre, por fatalidade, e mudam a vida para sempre. Exemplifica a persistência de quem já tropeçou muito em obstáculos, mas está sempre disposto a se reerguer. Sintetiza o triunfo de superações cotidianas, como tem sido a conduta de Márcia desde pequena. Após a cerimônia, ela estava orgulhosa de si mesma pela justa aclamação que recebera por acaso. Embora tivesse ensaiado três vezes no próprio Maracanã, não podia prever que a chuva lhe traria tanto transtorno. Ao entrar no carro que a levaria de volta para casa, na periferia do Rio de Janeiro, ela olhou para a irmã, Mara, sua acompanhante, e, orgulhosa de si mesma, repetiu a sentença que virou seu lema. “A vida tem dessas coisas. A gente cai, levanta e continua em frente”, disse ela, que fala com dificuldade.

>> Por que a Paralimpíada não vem antes da Olimpíada?

Márcia teve uma infância trivial até os 2 anos de idade, quando uma infecção de sarampo evoluiu para um quadro de encefalite, que acabou lhe causando danos cerebrais irreversíveis. De início, as previsões eram ainda mais céticas. Ao deixar o hospital, os médicos disseram a seus pais que a menina não conseguiria mais falar nem andar. Nascida no município fluminense de São Gonçalo, filha de um mecânico, já morto, e uma costureira, Márcia teve uma infância austera. Para safar-se do prognóstico dado pelos médicos, empenhou-se em exercícios de fisioterapia. Vivia entre instituições de reabilitação, como a Associação de Pais e Amigos de Excepcionais (Apae), o Instituto Brasileiro de Medicina de Reabilitação (IBMR) e a Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (Andef). Foi numa dessas atividades que a jovem, em torno de 18 anos, ganhou o incentivo de um treinador chamado Nivaldo, de quem perdeu contato, para se iniciar nas corridas. No episódio da última quarta-feira, ecoaram no ouvido dela os gritos de incentivo de Nivaldo toda vez que desabava na pista: “Levanta, Márcia!”.

Na Paralimpíada de 1984 em Nova York, Márcia foi pioneira com paralisia cerebral. Ganhou um ouro, duas pratas e um bronze

Mesmo que não houvesse todas as dificuldades de ordem motora, seu dia a dia naquela época já seria penoso. Quando começou a se dedicar com afinco ao atletismo, tinha de cruzar o Rio e a Baía de Guanabara para ir de Jacarepaguá, bairro onde morava, até o estádio de Caio Martins, em Niterói. Contava com a ajuda da mãe nessa travessia. Muitas vezes o treinamento era feito sob o calor abrasivo de meio-dia, horário alternativo em que a pista era franqueada aos atletas deficientes físicos. Com muito sacrifício, Márcia se destacou em competições nacionais e acabou selecionada para participar de sua primeira Paralimpíada. Isso ocorreu em 1984, numa competição que inovou com sua divisão entre dois continentes. As provas em cadeira de rodas tiveram como sede Stoke Mandeville, região de um distrito inglês que foi o berço dos Jogos Paralímpicos no fim da década de 1940. Márcia foi para o outro lado. Embarcou para Nova York, onde se realizaram as demais disputas. Teve desempenho excepcional e voltou de lá com um ouro, duas pratas e um bronze em provas de velocidade e cross country – medalhas que podem ser vistas numa exposição que ocupa a Assembleia Legislativa do Rio  de Janeiro até o dia 22.

O feito de Márcia foi extraordinário sob o aspecto esportivo e pelo pioneirismo. Ao estrear no pódio, tornou-se a primeira brasileira vítima de paralisia cerebral a ganhar uma medalha paralímpica. Dessa forma, contribuiu para expandir no país um dos principais propósitos dos Jogos: o de inclusão social. “Numa época em que os pais limitavam muito a atividade dos filhos com paralisia cerebral, ela mostrou que pessoas assim podiam perfeitamente praticar esportes”, diz Michelle Barreto, de 33 anos, doutora em educação física adaptada e autora da tese “Esporte paralímpico brasileiro: vozes, histórias e memórias de atletas medalhistas (1976 a 1992)”.

Entre 2014 e 2015, para sua tese de doutorado, Michelle entrevistou todos os 23 atletas vivos que se enquadram no perfil e constatou que o romantismo era a força motriz dessa turma. “Quando indago qual o fator determinante para a conquista, eles apontam sempre a perseverança e a força de vontade”, afirma a pesquisadora. Nos anos 1980 e 1990, período em que Márcia brilhou nas pistas, era comum a pessoa ser obrigada a largar a carreira esportiva para ir sobreviver em outra atividade. “Naquela época, eu dava pró-labore para o atleta tomar um refrigerante”, lembra João Batista Carvalho e Silva, presidente do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) de 1995, quando foi criado, até 2001. Hoje os atletas profissionais dispõem de infraestrutura de treinamento e podem fazer viagens ao exterior para aprimorar a técnica. Para efeito de comparação, Batista administrou uma verba de R$ 10 milhões em todo o ciclo entre Atlanta 1996 e Sydney 2000. Hoje o CPB trabalha com uma receita de R$ 150 milhões por ano, vinda majoritariamente de uma parcela da arrecadação das loterias determinada por lei.

Festa de abertura da Paralimpíada do Rio.Márcia ajudou a abrir o caminho para a profissionalização (Foto: Jens Buettner/dpa/AFP)CONSAGRAÇÃO
Festa de abertura da Paralimpíada do Rio de Janeiro. Márcia ajudou a abrir o caminho para os atletas de hoje (Foto: Jens Buettner/dpa/AFP)

Márcia mora com a mãe, Maria José, de 86 anos, e a irmã, de 52, numa casa em Rio Bonito, cidade a 80 quilômetros do Rio. À medida do possível, leva uma vida independente. Cuida da mãe, cozinha e ajuda na arrumação. Jamais precisou de cadeira de rodas para se locomover. Costumava ir às ruas por conta própria, porém, passou a ficar insegura e agora sai quase sempre acompanhada. Recentemente, embarcou sozinha num ônibus para visitar amigos na cidade mineira de Alto Caparaó. Márcia só fecha a cara para criticar a péssima acessibilidade com que depara no dia a dia. Quando está recolhida, gosta de ver novelas, humorísticos e programas de calouro. “O que vocês viram no Maracanã diz muito mais sobre minha irmã do que tudo o que posso falar dela”, conta Mara. “Ela é uma pessoa independente, determinada e feliz.” Mesmo com tudo desfavorável, Márcia obteve sua maior conquista.

Fonte: REVISTA ÉPOCA 

Por:SÉRGIO GARCIA