Você está abrindo ou fechando as portas da sua empresa?


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Atenção senhores passageiros, pedimos a gentileza de desligarem seus celulares e equipamentos eletrônicos porque nossas portas já foram fechadas, e dentro de instantes estaremos decolando”. O script, comum na aviação, é um exemplo de comunicação para estudo de caso.
O domingo estava ensolarado e eu voltava para casa depois de uma semana produtiva em São Paulo. Enquanto a aeronave taxiava na pista de Congonhas, a tripulação se fazia valer da comunicação corriqueira. De repente, o avião fez meia-volta para o pátio de onde tinha saído. Ficou parado por alguns instantes, e em seguida abriu a porta dianteira. Mas o que houve? Por que não decolamos? Estamos com problemas? O avião estragou? Corremos algum risco? Temos que descer?

Todas essas perguntas seriam desnecessárias se alguém da tripulação tivesse conversado com os passageiros enquanto o avião voltava para o pátio. Explicar o que está acontecendo parece uma coisa tão óbvia que ninguém pensa em fazê-lo. A tensão já era palpável no ambiente: passageiros agitados, crianças chorando, um calor insuportável. E ninguém da companhia aérea pronunciava uma só palavra. Depois de quase 10 minutos com a porta aberta, finalmente o comandante tomou a palavra e explicou que a aeronave apresentava problemas no ar condicionado. Algo simples, aparentemente, e poderia ter sido comunicado antes. Minha pergunta é: por que fazer a retenção da informação? Por que, nesta hora, as aeromoças fecham a cortininha e ficam escondidas para não vermos o que estão fazendo? Que tipo de transparência corporativa existe quando o cliente está na nossa frente querendo cooperar e entender uma situação, e nós simplesmente fugimos, ou temos medo de anunciar que algo saiu errado? O desgaste foi tão grande, que água e bala não serviram para nada. Todos precisaram desembarcar e mais tarde trocamos de aeronave.

Coincidência ou não, uma semana antes o ar condicionado do avião de uma outra companhia em que eu voava teve o mesmo problema, mas o cenário foi completamente diferente. Antes de fazer meia-volta com a aeronave, o comandante assumiu o controle e falou com as suas próprias palavras: “Eu sei que todos devem estar morrendo de calor, e acabamos de detectar que o ar condicionado desta aeronave sofreu uma pane. Mas este não chega a ser um problema. Vamos retornar ao pátio para a segurança e conforto de todos, e posso assegurar que em poucos minutos teremos uma solução. Quero pedir desculpas pelo atraso e pelo desconforto que isso está causando”. Sabe o que aconteceu em seguida? Absolutamente nada. Ninguém ficou nervoso, as crianças não choraram, e não precisou nem distribuir bala para tirar a atenção dos clientes. Todos ali sabiam exatamente o que estava acontecendo e ninguém ficou preocupado ou temeroso, pelo contrário. Cinco minutos depois, o comandante chamou a atenção novamente, para dizer que em 10 minutos estaria tudo consertado. Mais cinco muitos, as portas se fecharam e pronto. Seguimos viagem com segurança e sabendo que se algo acontecesse, o comandante nos falaria imediatamente.

Aqui temos o mesmo problema e duas atitudes diferentes, dois resultados completamente diferentes. Não adianta uma empresa ter um script e treinar as pessoas apenas para segui-los. Se quisermos de fato ter uma gestão efetiva e eficaz precisamos construir confiança, e confiança só se constrói com uma comunicação adequada e transparência corporativa. Pergunto aos líderes: será que a sua equipe tem certeza que você não faz retenção de informação? Pergunto aos administradores: será mesmo que você já perguntou ao seu cliente o que o faz confiar em você, e ao seu ex-cliente por que ele não confia mais em você?

Precisamos ensinar e incentivar nossos funcionários a saberem pensar com clareza e falar de maneira assertiva em situações fora do script, porque é isso que vai construir valor corporativo: valor de capital intelectual, valor de fidelização de clientes, e valor de lucratividade. É fato que a comunicação dos funcionários é reflexo do DNA de cada empresa, e depois não adianta reclamar que o mercado fechou as portas para você, se tudo o que você fez foi fechar a cortininha e ficar escondido lá atrás.

Estamos num momento em que precisamos mostrar a cara e pedir ajuda, caso seja necessário. Todos nós erramos, e nem sempre as coisas saem como planejamos em função de muitas variáveis. Mas para tudo existe um jeito de falar a verdade, porque só uma verdade palpável é capaz de abrir de fato as portas do mercado. Comunique-se. Mas faça isso olhando nos olhos. Porque esse pode ser o grande diferencial competitivo: para você, para sua empresa, e para o seu sucesso.

Por: Alessandra Assad

Diretora da AssimAssad Desenvolvimento Humano. Formada em Jornalismo, pós-graduada em Comunicação Audiovisual e MBA em Direção Estratégica, é professora no MBA de Gestão Comercial da Fundação Getulio Vargas, Consultora Senior do Instituto MVC, palestrante e autora do livro Atreva-se a Mudar!

10 dicas importantes para uma entrevista de emprego


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Sabemos que a crise econômica está dificultando que muitos brasileiros consigam recolocação no mercado de trabalho. Entretanto, devemos ser otimistas. É hora de entender como obter sucesso na entrevista de emprego para que você tenha mais chances de conseguir a vaga tão almejada. Este artigo aborda as 10 mais importantes – as 10 melhores – dicas para entrevistas de emprego, segundo a visão da Psicologia Organizacional e do renomado, Dr. Randall S. Hansen, um dos mais antigos e conceituados profissionais de desenvolvimento profissional.

  1. Pesquisar o empregador

O sucesso em uma entrevista de emprego começa com o conhecimento sólido vindo daquele que está em busca da vaga. Você deve conhecer o empregador em potencial, as exigências do trabalho, e as expectativas da pessoas – ou das pessoas – que estiverem lhe entrevistando. Quanto mais você pesquisar, mais você vai compreender a respeito da vaga e do empregador, e maior será sua capacidade para dar responder adequadas durante a entrevista (assim como fazer perguntas inteligentes). As fontes de informações incluem o site da organização e outros materiais já publicados a seu respeito, ferramentas de busca online, e questionamentos diretos que você pode fazer em sua rede de contados.

  1. Revisar questões mais comuns em entrevistas e preparar respostas.

Outro ponto chave para o sucesso é preparar respostas para perguntas esperadas e mais usadas nas entrevistas de emprego. Se possível, procure descobrir sobre o tipo de entrevista que é utilizada pelo empregador em potencial. Além disso, busque compor respostas detalhadas e breves, com foco em exemplos reais e realizações específicas. Uma boa maneira de lembrar suas respostas é colocá-las em forma de uma história que aborda os pontos mais importantes de sua carreira profissional: quais fatores lhe motivaram para obter a formação e carreira que possui, suas maiores qualidades e defeitos, motivos pelos quais deve ser contratada, características diferenciais e importantes para a função. Não é necessário decorar as respostas (e nem indicado), entretanto, é importante ser capaz de falar a respeito de si mesmo com propriedade. Você também pode consultar um psicólogo ou profissional da área de RH para conhecer alguns dos tipos de perguntas mais utilizadas em entrevistas: perguntas comportamentais, perguntas tradicionais, entrevista por competência, técnica da estrela, entre outras. E assim compor suas próprias respostas, considerando sempre sua trajetória profissional e aspectos importantes para o ambiente de trabalho.

  1. Vestir-se para o sucesso.

Pensar em se vestir de um modo que se adapte à organização e sua cultura, esforçando-se para manter a aparência mais profissional que você poder. Se lembre que é sempre melhor esbanjar um visual sério do que um visual informal – bem como usar roupas que se encaixam bem em seu manequim e que estejam limpas e passadas. Mostre o mínimo possível de acessórios e joias. Tente não fumar ou comer pouco antes da entrevista – e, se possível, escove os dentes ou use um bom enxaguante bucal. Você também pode encontrar mais dicas de vestuário social e casual em sites de busca online, programas de televisão ou com vendedoras de lojas de roupa.

  1. Chegar a tempo para a entrevista – e preparado para o sucesso.

Não há desculpa para sempre chegar atrasado para uma entrevista – que não seja algum tipo de desastre que o persiga dia após dia. Se esforce para chegar cerca de 15 minutos antes de sua entrevista agendada para evitar imprevistos e instalar-se com segurança. Chegando um pouco mais cedo você também ganha a ótima oportunidade de observar a dinâmica do local de trabalho. Um dia antes da entrevista providencie cópias extras de seu currículo e carta de referência. Se você tem um portfólio ou qualquer tipo de amostras do seu trabalho, leve estas também com você. Finalmente, lembre-se de levar mais de uma caneta e um bloco para tomar nota dos pontos mais importantes. Por fim, ao chegar no local onde será entrevistado, desligue seu telefone celular e quaisquer outros dispositivos que possam interromper a entrevista. (E se você estiver com goma de mascar, livre-se dela.)

  1. Promova boas primeiras impressões – em todos que encontrar.

A regra fundamental da entrevista: seja educado e ofereça saudações autênticas a todos que você encontra – da equipe responsável pela higienização até o gerente que irá lhe entrevistar. Os empregadores muitas vezes são curiosos a respeito do modo como candidatos a emprego tratam os membros de sua equipe de trabalho – e sua oferta de emprego pode facilmente ir por água abaixo se você for rude ou arrogante para com qualquer um dos colaboradores. Quando chegar a hora da entrevista, tenha em mente que as primeiras impressões – os entrevistadores fazem nos primeiros segundos, ao cumprimentá-lo – podem ser um fator decisivo em uma entrevista. Faça uma primeira impressão sólida, vestindo-se bem (conselho # 3), chegando cedo (conselho # 4), e, ao cumprimentar o entrevistador, expresse segurança, sorria, faça contato visual, e lhe dê um firme (nem mole e nem esmagador de ossos) aperto de mão. Se lembre que ter uma atitude positiva e expressar entusiasmo para o trabalho e empregador são vitais nos estágios iniciais da entrevista. Pesquisas apontam que os gerentes de contratação tomam decisões críticas sobre candidatos a emprego nos primeiros 20 minutos da entrevista.

  1. Seja autêntico, otimista, focado, confiante, sincero e conciso.

Uma vez que a entrevista começa, a chave do sucesso é a qualidade e entrega de suas respostas. Seu objetivo deve ser sempre a autenticidade, e responder com verdade às perguntas da entrevista. Ao mesmo tempo, o seu objetivo é chegar à próxima etapa, então você vai querer dar respostas focalizadas que mostrem suas qualidades, habilidades, experiência e ajuste – com o trabalho e o empregador. Apresentar exemplos consistentes de soluções de problemas anteriores e realizações são vitais – mas manter suas respostas curtas e diretas ao ponto. Ao preparar respostas para perguntas comuns da entrevista (dica # 2), você vai idealmente evitar respostas longas e incoerentes, que possam cansar os entrevistadores. Tente sempre manter respostas curtas e direto ao ponto. Por fim, não importa o quanto um entrevistador lhe ofereça iscas, nunca fale mal de um empregador, chefe ou colega de trabalho anterior. A entrevista é sobre você – e demonstrar que você é o candidato ideal para o trabalho. É importante buscar assessoria de um psicólogo ou profissional da área de RH para conhecer os erros mais comuns de candidatos durante entrevistas de emprego.

  1. Lembre-se de sua expressão corporal, evitando maus hábitos.

Embora o conteúdo de suas respostas na entrevista seja fundamental, uma expressão corporal inadequada pode ser uma distração para o entrevistador na melhor das hipóteses – ou uma razão para não contratá-lo na pior. As formas mais eficazes de expressão corporal: sorriso tranquilo, contato visual, postura sólida, escuta ativa, acenar com cabeça quando considerar algo importante. Na contramão destas, as mais prejudiciais são­: desleixo, olhar distante ou cabisbaixo, brincar com caneta, se remexer na cadeira, demonstrar muita ansiedade, utilizar goma de mascar, distrair-se com facilidade. Aprenda mais com algum profissional da área e conheça táticas para que sua apresentação não-verbal e comportamentos gerem uma impressão positiva.

  1. Fazer perguntas inteligentes.

Estudos mostram continuamente que os empregadores fazem julgamentos sobre o interesse do candidato no cargo avaliando se este faz ou não perguntas. Sendo assim, mesmo que o gerente de contratação tenha sido detalhista em suas discussões sobre a abertura de trabalho e aquilo que é esperado, você deve fazer algumas perguntas explorando pontos importantes ou que ficaram pouco esclarecidos. O candidato mais inteligente prepara perguntas a serem feitas dias antes da entrevista, acrescentando quaisquer dúvidas adicionais que possam surgir durante o processo. Para ter uma ideia de perguntas que você poderia fazer na entrevista, busque o apoio de um profissional da área e descubra os melhores tipos de questões que você deve fazer em uma entrevista de emprego, assim como aprender de que forma causar uma ótima impressão por meio das perguntas que você faz.

  1. Vender-se por toda parte e, em seguida, fechar o negócio.

Um ditado na área de RH diz que o candidato mais qualificado nem sempre é aquele que é contratado – o que significa que o contratado é muitas vezes o candidato que faz o melhor trabalho na hora de responder às perguntas da entrevista e mostrar seu ajuste ao cargo, departamento e organização. Alguns comparam a entrevista de emprego com um processo de venda. Você é o vendedor – e o produto que está vendendo para o empregador é a sua capacidade para preencher as necessidades da organização, resolver os seus problemas, e impulsionar o seu sucesso. Ao final, conforme você fica mais relaxado com a situação de entrevista, pergunte sobre os próximos passos do processo seletivo e o tempo que o entrevistador julga que necessitará para decidir quem será contratado. Se você está participando de uma vaga em vendas – ou uma posição que exige agressividade equivalente – considere pedir para assumir a vaga, ao final da entrevista.

  1. Agradeça ao entrevistador(es) pessoalmente, por e-mail ou correio postal.

Como você já viu, desde as dicas anteriores, cortesia e polidez podem te levar longe na entrevista. Assim, a importância de agradecer a cada pessoa que entrevistou você deve ser compreendida sem nenhuma surpresa. Inicie o processo durante na entrevista, agradecendo a cada pessoa que o entrevistou. Escrevendo e-mails de agradecimento e notas logo após a entrevista não vai garantir a vaga de emprego, mas vai certamente dar-lhe uma vantagem sobre qualquer um dos outros finalistas que não tenha se preocupado em enviar ou fazer qualquer tipo de agradecimento. Para obter mais dicas sobre como escrever notas de agradecimento, busque o auxílio na internet ou de um bom profissional.

Considerações finais sobre o sucesso na entrevista de emprego

Êxito em entrevistas de emprego demanda o estudo, prática e persistência. Quanto maior o esforço que colocar em sua preparação para entrevistas, mais sucesso você verá na obtenção de ofertas de emprego – especialmente se você se lembrar e seguir estas dicas. Por fim, se você ainda está à procura de ainda mais informações, recursos, ferramentas e exemplos relacionadas com entrevistas, é indicado que busque estudar ainda mais e, se possível, contar com apoio de um bom profissional, se possível das áreas relacionadas à Psicologia, RH ou Coaching Profissional.

Por Luiz Felipe Beraldi

Psicólogo CRP 06/124799

Contato: felipe.beraldi@outlook.com

Terrível vício de querer o que não se tem


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Já afirma a velha e boa sabedoria popular que a grama do vizinho é sempre mais verde e a galinha mais gorda. O churrasco também cheira melhor e a vida do casal ao lado sempre parece ter um tempero a mais que exibe tudo de forma mais alegre e colorida. Redes sociais são os canais perfeitos para nos sentirmos no fundo do poço. Nas redes tudo mundo é bonito, bem resolvido, legal (se é que alguém entende mesmo o que é ser legal), faz viagens maravilhosas e se diverte pra valer. Todo mundo elogia os filhos, diz amar o marido/esposa e sorri expansivamente dentro da sua melhor roupa. Todo mundo é honesto, gosta de ler e valoriza beleza interior usando um biquíni minúsculo e fazendo um biquinho erótico. (…)

Começamos a desejar cada vez mais a vida do outro. Este traço sempre existiu na raça humana, mas atualmente está potencializado pela globalização e novas tecnologias. (…)

É triste perceber o quanto homens e mulheres se esforçam para agradar e parecerem perfeitos para os parceiros alheios. É triste perceber o quanto algumas pessoas preferem dar atenção aos parceiros dos amigos. É triste perceber como os relacionamentos de longa data começam a perder o brilho por falta de cuidado, de manutenção afetiva. Ninguém vive apaixonado pela mesma pessoa a vida toda. Paixão tem data de validade. Mas nem por isso o relacionamento precisa perder o afeto, a cumplicidade, a vontade de fazer coisas juntos, inclusive sexo de qualidade, criativo, renovável.

A paixão tem data de validade, mas a amizade, a admiração, o carinho tendem a crescer com o tempo e a convivência. Mas para isso acontecer é preciso parar de olhar para a casa ao lado e tentar ver o que há de melhor na sua. Não, meu caro amigo. A mulher do vizinho não é mais bonita do que a sua. Não, minha cara amiga, o marido da colega de trabalho não é mais carinhoso do que o seu. A grande qualidade do parceiro alheio é ser o do outro e não o seu.

Da escritora Sílvia Marques

FACEBOOK: O MERCADO DAS CARÊNCIAS


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“Triste realidade onde relacionamentos vazios iniciam-se por uma realidade paralela amorfa”

Que passamos por uma era de urgências, e tramas existências que se perdem ao longo de um horizonte sem fim de distrações e ilusões cibernéticas, bom, quanto a isto creio não ser o único a vislumbrar tal problema. Não quero escrever sobre os problemas humanísticos advindos destas plataformas de realidades paralelas, as redes sociais. Para maiores aprofundamentos indico Bauman ou Lipovetsky. Só gostaria de analisar em poucos parágrafos o quanto estes lugares tonaram-se verdadeiros mercados de relacionamentos vazios.

Alguns minutos perdidos entre as barras de rolagem do Twitter, Instagram e Facebook, são suficientes para nos mostrar como somos uma geração carente. Não sei ao certo se carente de afeto ou de atenção — não sei também até que ponto estes dois parâmetros se confundem. Entre textos tristes e fotos seminuas — ou completamente nuas mesmo — , a sociedade vai mostrando a essência daquilo que chamamos de carência. As redes sociais em pouco tempo se transformaram numa grande vitrine de açougue onde se escolhe, o que se quer, por peças. É bem verdade que as redes sociais transformaram-se, também, numa grande praça francesa de debates políticos, mas isto cabe a outro texto.

Na realidade, eu acho extremamente interessante a forma desproporcional que a raça moderna lida com a ansiedade de namorar. Tal aporia me lembra as aulas de biologia, onde estudamos como agem os feromônios e como se dá a reprodução dos animais; tudo isto, unido a uma visão mercantilista e varejista pós revolução industrial, nos dá uma visão panorâmica da situação relacional de nossos dias nestas ditas redes. A modernidade usa as redes sociais para expor suas urgências de atenção, na busca incessante de um comprador de carências. E veja, não estou falando de postar fotos pura e simplesmente, mas sim a finalidade que se busca nisso. Ou seja, postar fotos em busca de saciar ausência do sexo oposto (ou do mesmo, sei lá), da mesma forma que cachorro mija no muro para atrair fêmeas.

A busca intrépida por uma curtida, um elogio ou, quiçá, uma proposta, faz com que a timiline de muitas pessoas tornem-se catálogos e/ou vitrines de homens e mulheres.

Triste realidade onde relacionamentos vazios iniciam-se por uma realidade paralela amorfa. Onde fotos “pixializadas” tornam-se meios de conquista; desejos descontrolados, vias de um pseudo-romantismo; palavras insonsas, motivos de crença amorosas. Eu acredito ainda naquele amor conquistado a duras penas, nas cartas e nos buquês de rosas. No frio na barriga ao ver e tocar, pessoalmente é claro, a(o) amada(o). Acredito em pessoas caras que não custam uma curtida. Antigamente se fugia de casa para viver um amor eterno, uma traquinagem que se justifica por uma eternidade; hoje se foge do eterno em busca de relacionamentos momentâneos, uma traquinagem que se perde num instante lodoso de luxúria.

Aliás, nesta matéria, eu aceito a taxação reacionário.

Extraído do Blog SÁBIAS PALAVRAS 

Parábola Indiana – O Pote Rachado


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Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara a qual ele carregava atravessado em seu pescoço. Um dos potes tinha uma rachadura. Enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe, o pote rachado chegava apenas com a metade da água. Foi assim por dois anos, diariamente: o carregador entregando um pote e meio de água na casa do chefe. Claro que o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas metade do que ele havia designado a fazer.

Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem, um dia a beira do poço:

– Estou envergonhado e quero pedir-lhe desculpas.-

– Por quê? – perguntou o homem, – de que você esta envergonhado? –

– Nestes dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade de minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho da casa de seu chefe. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho e não ganha o salário completo pelos seus esforços – disse o pote.

O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão, falou: – Quando retornarmos para a casa do meu chefe, quero que percebas as flores ao longo do caminho. De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou as flores selvagens ao longo do caminho e isto lhe deu certo ânimo. Mas ao final da estrada, o pote rachado ainda se sentia mal porque tinha a metade e de novo, pediu desculpas ao homem por sua falha. Disse, então, o homem ao pote:

– Você notou que pelo caminho só havia flores do seu lado? Eu, ao conhecer o seu defeito, tirei vantagem dele e lancei sementes de flores no seu caminho. E cada dia, enquanto voltávamos do poço, você as regava. Por dois anos eu pude colher flores para ornamentar a mesa do meu chefe. Sem você ser do jeito que é, ele não poderia ter esta beleza para dar graça à sua casa.