Fracassa a tentativa de reduzir a Estação Ecológica de Cercadinho


A Mesa Diretora da Assembleia de Minas acatou o veto da emenda a pedido do deputado Fred Costa

Fred Costa

Fracassa a tentativa de reduzir a Estação Ecológica de Cercadinho

A pedido do deputado Fred Costa Assembleia de Minas rejeita emenda que reduzia grande parte da unidade de conservação. Em fevereiro, deputado Gustavo Corrêa promete voltar com projeto de liberação da área no Belvedere.

A Estação Ecológica criada em janeiro de 2006, por uma Lei estadual, com a finalidade de proteger o manancial de abastecimento público do Cercadinho, bem como o aquífero, a flora, a fauna, o solo e a paisagem do local, por pouco não teve sua área de 224,8933 ha reduzida. A proposta de desafetação de uma área de aproximadamente 70 ha foi apresentada à votação na Assembleia Legislativa de Minas, através de uma emenda no Projeto de Lei (PL) 3.649/12, de autoria do governador Antonio Anastasia, que estabelece os limites do Monumento Natural Estadual do Pico do Ibituruna, localizado em Governador Valadares.

Nele, de forma estranha, estava uma emenda de autoria do Deputado Gustavo Corrêa (DEM) que pretendia alguns ajustes na Estação. O dispositivo do parlamentar para o Cercadinho reduzia a sua área original de 224 hectares para 154 hectares. E também autorizava a cessão de área delimitada da estação para abertura de acesso da BR-356 ao bairro Olhos d’Água, mediante prévia aprovação do órgão responsável pela administração da unidade de conservação, sem prejuízo da necessidade de licenciamento ambiental e de outras exigências legais e observados os pré-requisitos de utilidade pública e interesse social.

Reuniões

O episódio teve início no último dia 13 de dezembro, uma sexta-feira, quando o deputado Célio Moreira (PSDB) convocou uma reunião extraordinária a ser realizada na segunda-feira, dia 16, à noite. Na ocasião, o deputado Gustavo Corrêa (DEM) apresentou uma emenda ao Projeto de Lei nº 3649/12, que trata do Monumento Natural Estadual do Pico do Ibituruna, em Governador Valadares, para desafetação da área do Cercadinho no Belvedere.  Ou seja, uma emenda dentro do projeto e sem nenhuma relação com o pico do Ibituruna em Governador Valadares, que reduziria em aproximadamente 30% a área total da Estação do Cercadinho.

Na segunda-feira, no dia 17/12, às 9 horas, o projeto foi à votação em plenário. Percebendo na pauta a estranha emenda ao projeto, o deputado Fred Costa (PEN) denunciou e utilizou de artifícios regimentais para obstruir a pauta. A reunião acabou somente na noite do dia 17 com um confronto entre o parlamentar e os demais colegas da Casa.

Na quarta-feira, dia 18/12, de volta à pauta com o projeto, Fred Costa fez uso da palavra por quase uma dezena de vezes e apresentou um requerimento solicitando ao presidente da ALMG, Dinis Pinheiro, a retirada de tramitação da emenda por entender que esta seria ilegal e anti-jurídica, pois não estava de acordo com o teor do projeto original, não possuía nenhuma relação com o Monumento do Ibituruna, muito menos com Governador Valadares.

Em sua defesa Fred Costa alegou que de acordo com a Lei Federal 9.985/2000, que rege o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza, é necessária a lei específica para autorizar a redução de UCs. E, foi baseado nestes argumentos, que o presidente da ALMG, Dinis Pinheiro, acatou o pedido de Fred Costa.

“É um absurdo, um atentado. Através de uma emenda ‘frankenstein’ flexibilizar a Estação do Cercadinho, permitindo dessa forma a verticalização que causa transtorno ambiental, sonoro e de trânsito. Não posso aceitar uma iniciativa nociva ao meio ambiente, que irá agravar ainda mais a mobilidade urbana, que é um dos grandes problemas da região do Belvedere”, argumentou Fred.

 

Gustavo Corrêa promete voltar com projeto

Em entrevista ao Jornal Estado de Minas, o deputado Gustavo Corrêa (DEM), autor da emenda de desafetação da área, ressaltou que vai apresentar um novo projeto de lei em fevereiro de 2014, para votação na Assembleia. “Estou tentando corrigir um equívoco feito no passado, que criou o parque em uma área que não podia”, afirmou ao jornal.

O presidente da Associação dos Amigos do Bairro Belvedere (AABB), Ubirajara Pires Glória, argumentou que estava revoltado com a maneira como a matéria foi tratada pelos deputados que a apoiaram. “Primeiro, me estranhei muito em saber que um deputado, que é morador da região, encaminhou uma emenda como esta para tramitação na Assembleia, sem antes conversar com a comunidade e com as entidades representativas de moradores. Depois, por saber que outro deputado, que também que tem sua família morando aqui há anos, apoiou este projeto. É lamentável não haver um diálogo com os moradores antes de lançar mão de uma votação como esta. Não somos contra as leis, somos contra a maneira como são criadas e impostas. Se querem flexibilizar, primeiro precisam procurar a sociedade, dar ciência dos fatos e estabelecer critérios corretos”, reiterou.

Também os ambientalistas se mobilizaram e enviaram aos deputados e órgãos de imprensa, manifesto de insatisfação com a votação. Para Maria Dalce Ricas, superintendente executiva da Amda, a proposta do deputado Gustavo Corrêa é ilegal em todos os sentidos. “Ele parece não saber, ou então se esqueceu, que as terras que compõem a Estação Ecológica são públicas e ignorou a Lei Florestal que foi aprovada em outubro do corrente ano. Aliás, Corrêa foi um dos que mais defendeu essa lei, que nós consideramos retrocesso em Minas”, disse.

Dalce informa que junto com a sanção da lei, o governo de Minas publicou o Decreto nº 46.336/13, que dispõe sobre necessidade de lei para desafetação de unidades de conservação. Seu artigo 4º determina que para cumprimento do disposto na nova lei deverão ser elaborados estudos técnicos na forma da legislação vigente, resguardado o processo consultivo.

 

Proprietários das áreas não foram indenizados

Na época de criação da Estação Ecológica, o Instituto Estadual de Florestas (IEF), com o apoio da Copasa-MG, elaboraria o plano de manejo da Estação, no prazo de até 18 meses após a publicação da Lei, que incluía o zoneamento da área e o desenvolvimento de programas de manejo, de administração e educação ambiental.

Passados quase sete anos após a sua criação, nada foi dito sobre este projeto e os proprietários das áreas ainda não foram indenizados. Nos bastidores, comenta-se que o próprio governo não teria recursos para indenizar os terrenos que foram declarados de utilidade pública e de interesse social, para fins de desapropriação. E, que por este motivo, a própria cúpula do Estado apoiava a aprovação desta emenda, inclusive com apelo do alto escalão mineiro.

Fonte: Jornal Belvedere

Programa Adote o Verde ganha nova parceira na Regional Centro-Sul


VERDE

Programa Adote o Verde ganha nova parceira na Regional Centro-Sul

Adotar uma área verde é prestígio que faz a diferença. É o caso da praça Lia Salgado, localizada na rua Professor Estevão Pinto, 1111, esquina com a rua Arassuaí, no bairro Serra, região Centro-Sul da Cidade. O espaço há mais de dois anos é cuidado pela comerciante Vera Lucia e Silva. O jardim e as flores que hoje enfeitam o local substituem a aparência que encontrava-se a praça antes da adoção, muito degradado devido ao mal uso de seus antigos frequentadores.

No início, segundo Vera, não foi fácil. Ela conseguiu ajuda da Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Regional Centro-Sul, que doou mudas de árvores. “Eu percebi que se deixasse daquela maneira só poderia piorar a situação, atraindo coisas ruins e trazendo transtorno para os moradores que já tinham medo de passar perto da praça à noite por causa das pessoas que ficavam por ali”, disse Vera Lúcia.

“Antes aqui só tinham pessoas usando entorpecentes e o local era muito sujo, então decidi cuidar dessa praça e comecei a plantar. Ganhamos também mudas da fazenda de conhecidos”, acrescentou.

A comerciante Vera Lúcia conta que cuida da área como se fosse uma extensão do seu quintal. “Sempre molho as plantas, tiro o excesso de mato e tenho o maior amor pelo local”. Perguntada sobre as dificuldades para cuidar do espaço, ela diz que dá trabalho cuidar sozinha do local. “Da um pouco sim, mas apesar disso me dá prazer e realização. Acho que a população deveria preservar melhor as praças”, enfatizou a adotante.

A comerciante finaliza dizendo que toda a sociedade tem responsabilidade de cuidar dos espaços públicos, principalmente praças que são todos os dias utilizadas pela a população. “Se cada um fizesse a sua parte, a cidade poderia ser melhor, não acho que devemos esperar tudo do poder público, temos responsabilidades também”, concluiu.

Fonte: PBH

Praça da Liberdade, de centro do poder mineiro a ponto de convivência


PRAÇA

Praça da Liberdade, de centro do poder mineiro a ponto de convivência.

As primeiras horas da manhã na Praça da Liberdade são de tirar o fôlego. O local reflete a energia dos assíduos praticantes da caminhada e também daqueles que eventualmente passam por lá, mas que não deixam de apreciar o local. Um dos cartões postais preferidos pelo belo-horizontino, a praça tem uma beleza de encher os olhos, com seus jardins e fontes luminosas, oferece descanso para quem prefere apenas relaxar em um de seus charmosos bancos, e um espaço ao ar livre que é palco de diversos eventos culturais. Ao longo do dia, o cenário é tomado por vários flagrantes de carinho entre os animais de estimação e seus donos, por ciclistas, encontros marcados, paquera entre casais de várias idades e também pela conversa descontraída de jovens.

A praça se especializou em ser palco de muitos amores, como a história romântica da dentista Eliane Rodrigues, de 39 anos, que começou lá, em uma tarde de primavera. “Fui ao local assistir o espetáculo de uma orquestra sinfônica. No meio de tanta gente, um rapaz se aproximou e se apresentou. Depois desse primeiro encontro, passamos a sair juntos várias vezes e estamos casados há 6 anos”, contou. O aposentado Everaldo Souza também tem uma relação de amor com a praça e sabe muito bem como desfrutar do local. “Pela manhã, venho fazer caminhada, prática prioritária no meu dia a dia. O período da tarde é para namorar”, sorriu. Segundo ele, desde que se mudou de Divinópolis, há 7 anos, a área verde se tornou uma grande companheira.

A Praça da Liberdade atrai pessoas de todas as idades. A pequena Manuela Carvalhães, de 1 ano, sente-se em casa perto das palmeiras imperiais. “Moro aqui perto e, quando sobra um tempinho, sempre trago a minha filha para se divertir, porque, além de bonito e reunir muitas crianças, este é um local de socialização”, salientou Patrícia, grávida de 7 meses. Próximo aos pequenos, o aposentado Nivaldo Luz, de 88 anos, que todos os dias vai à praça para ler jornal, diz que a área verde proporciona muitos momentos de descontração. “Adoro observar as pessoas e relaxar a mente e o corpo”, frisou.

Coreto

Quem também guarda histórias é o coreto. Construído em 1923 pelo empresário espanhol Aquelino Edreira Seara, já foi palco de discursos políticos de ex-presidentes como Jânio Quadros e Juscelino Kubtischek, além de autoridades estaduais. Tombado pelo Patrimônio Histórico de Belo Horizonte, o espaço recebeu diversas apresentações musicais. A escadaria que dá acesso ao coreto é o ponto de encontro favorito das amigas Paola, Carla e Samilla. “Aqui a gente conversa e discute sobre diferentes assuntos, desde tarefas escolares a encontros”, disse Samilla.

Jardins

Com traçado e jardins inspirados no Palácio de Versalhes, na França, a Praça da Liberdade reúne em um mesmo espaço diferentes espécies de flores como jasmins, roseiras, hortênsias, canas da índia e lírios, além dos ipês rosa, roxo e amarelo. Na alameda, o visitante encontra palmeiras imperiais e tipuanas. Bióloga e admiradora do local, Carolina Decina contou que, no Brasil, o primeiro exemplar de palmeira imperial foi plantado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro pelo príncipe regente Dom João VI, em 1809. Dessa forma, a palmeira tornou-se o símbolo do império.

A borda da fonte luminosa é formada por ciprestes, enquanto os canteiros espalhados pela praça contam com jasmins, canas da índia, roseiras e hortênsias. Para Carolina, os ipês são os seus preferidos. “Quando em flor são encantadores. Eles dão um toque especial ao local”, disse. Quem também admira a paisagem da Praça da Liberdade é a podóloga Irene Rodrigues. “Essa é a praça que mais gosto, além de ser a mais bonita de Belo Horizonte”. Companheira de caminhada matinal, Consolação Figueiredo concorda com Irene. “A área verde é simplesmente, linda!”, disse.

Semáforo mais antigo de BH

Quem passeia pela Praça da Liberdade não imagina que, entre as belas palmeiras imperiais e tendo ao fundo o Palácio da Liberdade, já circularam muitos carros. Prova disso é a existência de um antigo semáforo, ainda em funcionamento, situado entre a praça e a avenida João Pinheiro, antiga Liberdade. Instalado em julho de 1929, quando era chamado de pisca-pisca, é o primeiro dispositivo da capital mineira e faz parte do Conjunto Arquitetônico e Paisagístico da Praça da Liberdade. A história do semáforo até hoje desperta a curiosidade de quem frequenta a praça. “Interessante saber a história desse semáforo. Ele é, realmente, diferente dos equipamentos atuais”, relatou a estudante Samilla Diniz.

Feira Hippie

Na memória dos moradores da cidade, ficou a lembrança dos tempos áureos de quando a Feira de Artes e Artesanato de Belo Horizonte, a famosa Feira Hippie, era realizada na Praça da Liberdade. Tudo começou em 1969 com um movimento cultural, envolvendo, principalmente, artistas plásticos que, semanalmente, expunham seus trabalhos. Em 1991, devido às proporções alcançadas, a feira foi transferida para a avenida Afonso Pena, no Centro, onde permanece até hoje. Morador da capital, o aposentado Tali Barbosa se recorda dos estragos que a feira causava à praça naquela ocasião. “O restante do óleo das frituras feitas nas barracas eram despejadas nos pés das árvores, o que foi bastante nocivo a elas. Mas é um orgulho, depois de tantos anos, ver que a praça continua cada vez mais bela, mesmo com tantas coisas que aconteceram no local”, comemora.

História

A construção da praça foi iniciada na época da fundação da capital mineira, entre 1895 e 1897. Implantada para abrigar a sede do poder mineiro, como o Palácio do Governo e as primeiras secretarias de Estado, os prédios que circulam a praça têm arquiteturas ecléticas, uma mistura dos estilos barroco, clássico e medieval, além de elementos neoclássicos. Vale lembrar que aquela região era o Centro de Belo Horizonte. Entre 1950 e 1960, imóveis modernos foram incorporados ao conjunto, como o Edifício Niemeyer e a Biblioteca Pública Luiz de Bessa, ambos projetados pelo arquiteto Oscar Niemeyer. Em 1980, em estilo pós-moderno, foi inaugurado o prédio conhecido como Rainha da Sucata, onde hoje funciona o Museu das Minas e do Metal.

Nos antigos prédios públicos do entorno da praça hoje funciona o Circuito Cultural Praça da Liberdade, formado por espaços culturais que integram arte, cultura popular, conhecimento e entretenimento. Compõem o circuito o Espaço TIM UFMG do Conhecimento, o Museu das Minas e do Metal e o Memorial Minas Gerais – Vale. Ainda agregam o complexo cultural o Palácio da Liberdade, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o Arquivo Público Mineiro e o Museu Mineiro. Em breve, o prédio da antiga Secretaria de Estado de Defesa Social vai abrigar o Centro Cultural Banco do Brasil de Belo Horizonte.

O conjunto arquitetônico e paisagístico da Praça da Liberdade foi tombado em 2 de junho de 1977 pelo Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). A medida contempla, portanto, os edifícios do Palácio da Liberdade e as antigas secretarias de Estado, e se estende aos jardins, lagos, alamedas, fontes e monumentos da praça, bem como as fachadas de diversas edificações do seu entorno.

Fonte: PBH

Mercado imobiliário aposta nos arredores de BH para agradar quem quer morar perto da natureza


natureza

Construtoras investem em projetos no entorno da capital de olho no público que busca qualidade de vida e contato com o verde.

A cidade cresceu, o ar poluiu e o verde sumiu da paisagem urbana. Quem sente falta de ouvir o canto dos pássaros, caminhar entre árvores e respirar ar puro está de mudança. Atento aos desejos do público que busca um refúgio para viver, o mercado imobiliário se volta para o entorno de Belo Horizonte. A cada dia, cresce o número de empreendimentos com a proposta de oferecer aos moradores um contato próximo com a natureza, o que para muitos é sinônimo de qualidade de vida.

Há mais de 30 anos, o Grupo Vitória da União (GVU) privilegia nos projetos a proximidade com o verde, o que o sócio Jair Bastos acredita ser o sonho dos clientes. “Não adianta fazer empreendimentos que não sejam com esse perfil. Para fugir da vida agitada nos centos urbanos, as pessoas buscam contato com a natureza”, aponta. Por lei, as empresas são obrigadas a manter uma área verde preservada no terreno. Bastos informa que o GVU sempre oferece áreas maiores por entender que isso melhora a qualidade de vida. Trilhas ecológicas, arvorismo, tirolesa e haras com cavalos para um passeio pela mata são alguns dos atrativos que aproximam os moradores da natureza. Além disso, plantam-se árvores em todas as ruas.

Bastos acredita o mercado de condomínios está aquecido porque hoje um número maior de consumidores podem usufruir do contato com o verde, considerando que existe oferta com preço acessível e melhores condições de pagamento. “Não vemos apenas produto de luxo para uma pequena fatia da sociedade. Mais pessoas podem ter acesso a esse tipo de qualidade de vida.” O GVU oferece terrenos em cidades como Lagoa Santa, Igarapé, Jaboticatubas, Capim Branco e Brumadinho.

 

Acostumado a morar em casa, o geógrafo Cláudio Sayão Dias, de 38 anos, não se adaptou à vida em um apartamento. Estresse, enxaqueca e insônia eram comuns na rotina do recém-casado, que sempre gostou de acampar e fazer caminhada. Nos fins de semana, o refúgio era perto da natureza. Até que Cláudio decidiu se mudar para Casa Branca, distrito de Brumadinho, na Grande BH, com a mulher e dois cachorros. “A partir do momento em que entro no Parque Estadual da Serra do Rola-Moça, nem parece que estou a 20 quilômetros de BH. Respiro ar puro, tenho água totalmente limpa e clima mais agradável. Agora sou zen”, garante. Em casa, é tempo de relaxar e sair da vida urbana, sem se distanciar da capital.
Cláudio não tem dúvida de que fez a escolha certa. No condomínio, ele ganha qualidade de vida e tranquilidade para criar os filhos. “Quer deixar o estresse e ter boa saúde? Mude para perto da natureza. Você vai ganhar muito, até anos a mais de vida e chegar aos 100”, aconselha.

ENTRE ÁRVORES 

Uma área de plantio de cana-de-açúcar em Betim, na região metropolitana, deu lugar ao condomínio Ecovillas Vale Verde. O verde está presente em um terço da área do empreendimento, que também oferece três lagoas, trilhas ecológicas e a sombra de cerca de seis mil árvores. A expectativa é de que o lugar tenha muitos bichos, já que abrigará áreas de soltura de animais que são devolvidos à natureza por órgãos ambientais. “Queremos que a natureza seja o principal atrativo. Investimos em um cinturão verde para que as pessoas voltem a ter contato com o verde sem ter que ir para a fazenda. Dentro de casa podem apreciar a mata”, comenta o diretor comercial do Grupo Vale Verde, José Renato Araujo. Os primeiros lotes vendidos estão no entorno área verde. Restam unidades a partir de R$ 350 mil.

O geógrafo Cláudio Sayão Dias não tem dúvidas de que fez a escolha certa ao se mudar para um condomínio 
 (Jair Amaral/EM/D.A Press)
O geógrafo Cláudio Sayão Dias não tem dúvidas de que fez a escolha certa ao se mudar para um condomínio

Em respeito ao meio ambiente e para proporcionar qualidade de vida, o Grupo PGV projetou o Lagoa Park Eco Residence, em Itabirito, a 55 quilômetros da capital, ao redor de uma área verde. “Não é só para olhar de longe a natureza. Andando pelas trilhas ecológicas, os moradores passam por dentro da mata, visitam as nascentes de água e podem ver borboletas. As árvores têm liquens vermelhos, encontrados onde tem 100% de ar puro”, destaca o sócio Bruno Veloso. Os lotes custam a partir de R$ 98 mil.

Prever todas as despesas é essencial para realizar o sonho da casa própria


despesas

Prever todas as despesas é essencial para realizar o sonho da casa própria.

Com bom momento para comprar imóveis, especialistas ensinam quais são os gastos normais para o consumidor não se endividar.

Moradores do Conjunto Califórnia, na Região Noroeste de Belo Horizonte, a servidora pública Marina Pimentel Oliveira, de 28 anos, e o noivo, o administrador Felipe Casarim, de 29, subiram ao altar da igreja São José, no Centro da capital, em dezembro. Seguindo a máxima de “quem casa, quer casa”, eles juntaram suas economias numa conta-poupança, a qual é abastecida mensalmente com parte do salário de ambos. Marina e Felipe planejam comprar um imóvel, de três quartos, com valor em torno de R$ 300 mil. A intenção é desembolsar R$100mil de entrada e financiar o restante em mais ou menos 15 anos.

Fora as preocupações inerentes ao planejamento financeiro e legais para a aquisição do imóvel, é preciso levar em consideração o momento da compra. E 2014, segundo Bráulio Quintino, especialista em mercado imobiliário e sócio-diretor da imobiliária RE/MAX Class, desponta como um período de boas oportunidades. Ele lembra a estabilização do próprio mercado, que resulta numa linha de preços estáveis e não mais crescentes.

Se o momento é bom, é precisar lembrar que a compra de um imóvel gera sempre outros gastos.“As taxas, serviços e impostos ficam em torno de 4% a 4,5% do valor do imóvel. As despesas de avaliação e confecção de contrato (cobradas pela instituição financeira) ficam entre R$1 mil e R$ 1,5 mil”, afirma Adriana Magalhães, conselheira da Câmara do Mercado Imobiliário (CMI/Secovi-MG). Portanto, Marina e Felipe vão desembolsar de R$ 12 mil a R$12,5 mil.

Felipe Casarim e Marina Pimentel juntaram as economias para realizar sonho (Ramon Lisboa/EM/D.A Press)
Felipe Casarim e Marina Pimentel juntaram as economias para realizar sonho

O tributo com a maior alíquota (2,5%) é o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis por Ato Oneroso “Inter Vivos” (ITBI), cobrado pelo município. Como planejam adquirir um imóvel em torno de R$ 300 mil, os noivos do Conjunto Califórnia precisam reservar cerca de R$ 7,5 mil para o ITBI. “O valor do registro pago ao cartório varia de acordo com a faixa de preço do imóvel. As despesas de avaliação e confecção de contrato (cobradas pela instituição financeira) ficam entre R$ 1 mil e R$1,5 mil”, acrescenta a conselheira da CMI/Secovi-MG.

“Temos de planejar todos os gastos”, diz Marina, que visitou, na companhia do noivo, apartamentos nos bairros Castelo e Padre Eustáquio. “Queremos comprar o imóvel já pronto, pois temos receio de enfrentar problemas (com moradia) na planta”, conta a moça. Nesse caso, recomenda Marcelo Nogueira, diretor da Associação Brasileirados Mutuários da Habitação (ABMH), é importante visitar a moradia em dias e horários alternados: “É preciso saber onde bate o sol, se há barulho e não se esqueça de procurar o síndico para saber se o condomínio está emdia”.

A aquisição de imóveis usados, continua Nogueira, recomenda outras precauções:“A pessoa precisa ter certeza de que a documentação está correta, em outras palavras, a certidão negativa de ações cíveis, fiscais, criminais e trabalhistas. O comprador também precisa ficar atento à metragem do imóvel, pois há propagandas que anunciam, por exemplo, um‘apê’ de 110 metros quadrados e,na verdade, o apartamento tem 90 metros quadrados e a garagem, 20 metros quadrados.”

Cuidado com pegadinhas

No caso de quem trabalha na iniciativa privada e não tem outro imóvel em seu nome, uma sugestão é usar o Fundo de Garantia sobre Tempo de Serviço (FGTS) no negócio. “Pode investir todo o saldo do FGTS para a compra do imóvel. A  limitação que existe é em relação ao preço do imóvel, que não pode ser superior a R$ 750 mil”, esclarece Adriana Magalhães, conselheira da Câmara do Mercado Imobiliário(CMI/Secovi-MG). Ela alerta a importância dos compradores ficarem atentos a  itens do contrato: “Há o que é obrigatório e há o que é opcional. Há bancos que incluem (no acordo) serviços com o título de  capitalização, Previdência, entre outros”.

Marcelo Nogueira, diretor da Associação Brasileira dos Mutuários da Habitação (ABMH), lista outras “pegadinhas” no mercado  imobiliário. “Se oferecerem serviço de despachante para o imóvel na planta, o consumidor deve tomar cuidado, pois é uma  tarefa que precisa ser feita, gratuitamente, peloconstrutor. Caso o cliente o tenha pago, pode requerer em juízo a devolução do dinheiro. Em média, a cobrança é de R$ 300 a R$ 700”.

Outro alerta é sobre a taxa de corretagem, que oscila de 6% a 8% do valor contratual. O custo, destacam especialistas, é de  responsabilidade das construtoras. “Mas algumas repassam para o cliente. Essa taxa vem sendo oferecida apartada do contrato de compra e venda, ou seja, é uma pegadinha para confundir a cabeça dos magistrados (quando o comprador aciona a Justiça). Portanto, na hipótese de o cliente receber um contrato apartado, recomenda-se que ele não o assine antes de consultar um especialista”.

SEM RISCO DE BOLHA

Anderson Kury vive com a família no apartamento que comprou aproveitando o menor preço (Marcos Vieira/EM/D.A Press)
Anderson Kury vive com a família no apartamento que comprou aproveitando o menor preço

Com relação a uma possível bolha no mercado imobiliário brasileiro, Bráulio Quintino acredita que esse risco está descartado.“Existe temor em relação a bolha em razão ao que aconteceu nos Estados Unidos, mas lá se financiava até 100% do valor do imóvel e as pessoas ficavam sem condição de pagar”, lembra.

“Aqui o financiamento é feito com austeridade”, acrescenta. Entre as características de um período que antecede uma bolha imobiliária, ele lembra as quedas ou subidas expressivas nos preços e afirma que esse cenário não se repete no país de forma preocupante.

No Brasil, assim como em Minas, ele explica que a subida de preços pode estar relacionada, entre outros fatores, aos altos custos de insumos, como terrenos, cada vez mais raros em função da mudança de parâmetros de uso e ocupação do solo.

O biólogo Anderson Kury aproveitou o momento de maior oferta para fechar o negócio que planeja há dois anos. Ele iniciou uma jornada em busca de um novo apartamento com três quartos e boa área de lazer. “Os preços baixaram um pouco. Olhei um apartamento de R$ 550 mil, que hoje está R$ 480 mil”, diz. Já o imóvel pelo qual ele se interessou, teve redução de R$ 60 mil no valor.

Para não se endividar, o casal reuniu todas as economias e benefícios extras recebidos no trabalho para dar uma entrada de 35% do valor do imóvel. Para pagar o financiamento, a ideia é usar o aluguel do outro apartamento. “ Esperamos que o aluguel cubra a parcela ou, no mínimo, 50% dela.” Para não comprometer a renda, o biólogo também levou em consideração, durante a compra, o valor do condomínio.“Não quero ficar preso a uma taxa de dois salários mínimos”, diz.

Fonte:

Paulo Henrique Lobato – Estado de Minas

Carolina Mansur – Estado de Minas