Ei, comentarista? Qual é a sua?


Essa é a pergunta que perturba a humanidade. Ok, nem tanto. Reformulando então: essa é a pergunta que interessa a todos os blogueiros, e na certa qualquer pessoa que se importa um mínimo com a opinião alheia.

Sim, não me venha pensar em autosuficiência. De uma forma ou outra, a opinião alheia é necessário, em algum momento ou outro da vida.

Esse tema não me veio exatamente ao acaso. Tudo bem que há algum tempo o assunto “comentários” foi um dos mais comentados nas timelines de blogueiros no twitter, foi até tema do segundo blogcast, do Ferramentas Blog mas não foi o que me chamou exatamente a atenção. Os “culpados”, foram os sites de notícias.

Alguém já experimentou ler os comentários deixados pelos leitores?

Imagem: Daniel Carlbom

O negócio é de dar nojo. Sério mesmo. Dá pra encontrar de tudo, mas dificilmente algo que tenha a ver com a notícia em questão.

Não se trata de mau humor ou de raivinha por opiniões contrárias de minha parte, antes que alguém pergunte. Tem a ver com educação: aquela palavrinha mágica que muita gente se esquece.

Esse tipo de comentarista geralmente é alguém desocupado e frustrado já que precisa desse tipo de coisa para se sentir superior, afinal por definição um troll seja uma forma de vida inferior.

Essa geração de trolls podem ser classificados em três grandes grupos:

1 – “Guerrinha política”: São os que conseguem dar um toque político para qualquer tipo de notícia, não importando se seja algo digno de “planeta Bizarro”. E, de preferência (sei que isso vai dar briga), são anti-qualquer-um que-esteja-no-governo não importa qualquer coisa que ele faça.

Precisa dizer mais alguma coisa? Algo sobre contexto talvez…

2 – “Notícia inútil”: Dizem a mesma coisa para toda e qualquer notícia. Costumam acessar notícias sobre bastidores de Hollywood, Projac e afins somente para manifestar o quanto tais notícias mudaram sua vida. Os mais xiitas (desculpe, não arranjei termo mais adequado) A-do-ram mostrar o quanto são cultos, inteligentes e ocupados ao “sugerir” que o site fornece apenas pão e circo, só dá destaque ao inútil e de preferência, dá destaque ao jabá. Notícia paga é a principal acusação.

3 – “Patrulheiros da Língua Portuguesa” – doutores em língua portuguesa/imortais da Academia Brasileira de Letras se reúnem com o único intuito de classificar toda e qualquer texto como mal escrito e chamar jornalistas de incompetentes. O principal argumento de agressão é questionar porque o diploma de jornalismo ser tão alardeado se jornalistas serem simplesmente analfabetos. Obviamente desconhecem ou ignoram o fato de que os jornalistas online sofrem de fadiga extrema cada vez mais cedo

Esse comentários deixa os itens 2 e 3 em evidência

 

Atualizado! 3- “Fanáticos Religiosos: Porque não basta ter fé. Tem que recuperar as ovelhas perdidas do rebanho e colocá-las no caminho certo.  E claro que o caminho certo é a religião dele. Veja só a pérola abaixo publicada na notícia “Stephen Hawking dispensa Deus na origem do universo”.

 

Comentário retirado da Folha Online referindo-se a Stephen Hawking

Liberdade de expressão anda de mãos dadas com o bom senso, e obviamente tem gente extrapolando – como sempre. Eu sei que não dá pra pedir educação pra todo mundo, mas o que custaria um pouco de noção?

Ok, noção é um artigo tão raro quanto educação. Esqueça. Que tal procurar o caminho definitivo para as montanhas?

Ler devia ser proibido -Texto de Guimar Grammon


A pensar fundo na questão, eu diria que ler devia ser proibido.

Afinal de contas, ler faz muito mal às pessoas: acorda os homens para
realidades impossíveis, tornando-os incapazes de suportar o mundo insosso e ordinário em que vivem. A leitura induz à loucura, desloca o homem do humilde lugar que lhe fora destinado no corpo social.

Ler realmente não faz bem. A criança que lê pode se tornar um adulto
perigoso, inconformado com os problemas do mundo, induzido a crer que tudo pode ser de outra forma. Afinal de contas, a leitura desenvolve um poder incontrolável. Liberta o homem excessivamente. Sem a leitura, ele morreria feliz, ignorante dos grilhões que o encerram. Sem a leitura, ainda, estaria mais afeito à realidade quotidiana, se dedicaria ao trabalho com afinco, sem procurar enriquecê-la com cabriolas da imaginação.

Além disso, os livros estimulam o sonho, a imaginação, a fantasia. Nos transportam a paraísos misteriosos, nos fazem enxergar unicórnios azuis e palácios de cristal. Nos fazem acreditar que a vida é mais do que um punhado de pó em movimento. Que há algo a descobrir. (…)

Ler pode ser um problema, pode gerar seres humanos conscientes demais dos seus direitos políticos em um mundo administrado, onde ser livre não passa de uma ficção sem nenhuma verossimilhança. Seria impossível controlar e organizar a sociedade se todos os seres humanos soubessem o que desejam. Se todos se pusessem a articular bem suas demandas, a fincar sua posição no mundo, a fazer dos discursos os instrumentos de conquista de sua liberdade.

A leitura é obscena. Expõe o íntimo, torna coletivo o individual e público, o secreto, o próprio. A leitura ameaça os indivíduos, porque os faz identificar sua história a outras histórias. Torna-os capazes de compreender e aceitar o mundo do Outro. Sim, a leitura devia ser proibida.

Ler pode tornar o homem perigosamente humano.

O Céu e o Inferno…


Dizem que Deus convidou um homem para conhecer o céu e o inferno. Foram a primeiro ao inferno. Ao abrirem a porta viram uma sala cujo centro havia um caldeirão de sopa e à sua volta estavam sentadas pessoas famintas e desesperadas. Cada uma delas segurava uma colher de cabo comprido, que lhes permitia alcançar o caldeirão, mas não a própria boca. O sofrimento era grande. Em seguida Deus levou o homem para conhecer o céu. Entraram em uma sala idêntica à primeira: havia o mesmo caldeirão, as pessoas em volta, as colheres de cabo comprido. A diferença é que todos estavam saciados.
–    Eu não compreendo- disse o homem a Deus- por que aqui as pessoas estão tão felizes enquanto  na outra sala morreram de aflição, se é tudo igual?
Deus sorriu e respondeu:
–    Você não percebeu? É porque aqui eles aprenderam a dar comida uns aos outros.