Puxando Prosa…


Texto de Alexandre Pelegi

O mineiro Antonio Barreto me ensinou que poesia não paga imposto, nem aceita pedágio. Os versos saem na prosa, como a água verte do coco, e se a rima comparece é por puro acaso, que poesia não marca hora, nem carrega agenda de compromisso.

Barreto é daqueles escritores naturais, que comete literatura até quando escreve bilhete pro amigo ou responde a e-mail de desconhecido. Mineiro, me lembra o alagoano Graciliano, que produzia textos belíssimos até quando lavrava ata de reunião de prefeitura.

Dizem as línguas ferinas – ou feridas pela inveja – que mineiro é rei na dissimulação. O silêncio que ostenta ora é traição, ora é sofrimento, isso quando não são as duas coisas juntas e apimentadas… Que o diga Aécio, e que reflita Serra.

Quando conheci pessoalmente Antonio Barreto não tive dificuldade em descobrir sua figura num bar em que sobravam desconhecidos. Ele, até então, era um conhecido desconhecido, apesar da velha amizade construída após 12 crônicas, 7 e-mails e um imbróglio envolvendo vaidades pseudo-literárias…

Foi entrar no bar pra que eu o reconhecesse, apesar dele fazer o mesmo do lado de lá: “Este é o Pelegi, claro!” Não perguntei como ele chegara rápido a essa conclusão: de que eu era eu mesmo, claro!

Mas ele, impossível não reconhecer o mineiro escarrado que sua figura projetava: olhos esbugalhados adiantando o sorriso que os lábios ensaiavam; boca pequena pra tantos dentes, talvez pelo fato corrente do queixo puxar a face pra frente, arrancando o sorriso quase gargalhada que todo mineiro leva na cara…

Na preguiça de pronunciar a última sílaba da maioria das palavras, fui conversando com ele e confirmando o que já sabia: por trás de um baita escritor, reside o segredo que faz de Minas a terra dos cronistas maiores. Otto Lara Resende, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Drummond, que além de poeta era imenso cronista – quando não fazia crônica em versos -, Zuenir Ventura, que apesar de carioca, não esconde a mineirice no estilo, todos eles, sem exceção, são Barretos e Antonios, mais uns que outros, ora uns e outros, ora todos e nenhuns…

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