Che e os Maricóns


“Sonha e serás livre de espírito, luta e serás livre na vida.” Che Guevara

Querida(o) Amiga(o),

Você já ouviu falar no cara. Em 1960 um fotógrafo cubano o imortalizou no retrato mais reproduzido do século 20. Ele é o guerrilheiro revolucionário mais famoso do mundo. No ano passado, 41 anos depois da sua morte, Gisele Bundchen desfilou nas passarelas de Paris usando uma calcinha tomada pela sua imagem. A belíssima Angelina Jolie tatuou o seu rosto em um lugar que ninguém pode ver, a não ser o Brad Pitt. Você provavelmente já viu o seu retrato estampado em milhares de camisetas de estudantes, bonés de baseball e bonequinhos para crianças. O nome dele é Che Guevara, um dos líderes da revolução que mudou a história de Cuba para sempre.

Che não foi nenhum Gandhi.

Enquanto o líder indiano acreditava na Teoria da Não Violência para mudar o mundo – e de fato conseguiu ao libertar a Índia dos ingleses sem derramar uma gota de sangue, Che acreditava na Bala como Ferramenta de Mudanças – além da escrita, da palavra e da sua ética particular.

Os mais críticos dizem que a Revolução Cubana liderada pelo triunvirato Che, Fidel Castro e Raul Castro matou 100 mil pessoas quando tomou o poder em Cuba, outros dizem que foram 200 mil mortos, e outros mais conservadores falam de 10 ou 20 mil. Sabe-se comprovadamente que Che assinou pessoalmente a sentença de fuzilamento de pelo menos 4 mil cubanos seguidores do regime que ele botou para correr.

Che não fazia questão alguma de esconder as matanças. No seu discurso feito na ONU em Dezembro de 1964, ele disse, “Nós fuzilamos, e continuaremos a fuzilar o quanto for necessário”.

Quando eu era criança, eu tinha medo dos comunistas. Eu me lembro de alguém dizendo na escola ou na televisão ou em alguma reunião de família, que na União Soviética as pessoas tinham que dividir suas casas com outras famílias; do nada, no meio da noite, a polícia obrigava as famílias a dividirem suas camas com outras pessoas, e quem não topasse a parada era comido pela polícia comunista. Esse mito circulava no Brasil na década de 80!

Imagine então o medo que tomou conta do mundo ocidental quando um grupo de guerrilheiros vestidos como militares mulambentos, gritando hinos revolucionários, destronou políticos de gravata com terno branco e fala mansa em 1959.

Mas nem todos ficaram com medo da revolução de Cuba.

“Eu acredito que não existe nenhum país no mundo incluindo todos que foram colonizados, onde a exploração econômica e humilhação foram piores do que em Cuba, em parte devido as políticas dos EUA durante o regime Batista. Eu aprovei a proclamação que Fidel Castro fez em Sierra Maestra, quando ele justificadamente clama por justiça e pelo fim da corrupção em Cuba. Eu vou até mais longe: de alguma maneira a Era Batista foi a encarnação de um grande número de pecados por parte dos EUA. Agora nós temos que pagar por esses pecados. Com relação ao regime Batista, eu estou de pleno acordo com os revolucionários cubanos. Que isso fique bem claro. John F. Kennedy, Presidente dos EUA em entrevista para Jean Daniel, 24 de Outubro de 1963

Que fique também bem claro que eu estou falando o tempo todo sobre negócios, marketing, comunicação, percepção e liderança.

No dia 22 de Novembro de 1963 em Dallas, a céu aberto, os assassinos de Kennedy resolveram mandar um recado a toda nação americana: “Aqueles que são contra a guerra do Vietnam ou a favor dos revolucionários de Cuba não tem nenhum futuro nos EUA”.

A ironia disso tudo é que Che e Fidel Castro não eram comunistas. O comunista da época era o Batista, o ditador que eles derrubaram. Batista era apoiado de um lado pelo Partido Comunista de Cuba e consequentemente pela União Soviética, e do outro lado pelo pior dos EUA na figura de mafiosos e empresários americanos safados que vinham se aproveitando do espírito corrupto de Batista para roubar, assaltar e ganhar dinheiro em cima de uma ilustre e desconhecida ilha caribenha fincada no meio do pacífico.

A história do Brasil não é muito diferente da história de Cuba. Nesse exato momento em algum lugar distante nesse brasilzão, você encontra algum político safado se vendendo para algum homem branco da pior espécie em troca de terras ou concessões para que o homem branco safado possa ganhar muito dinheiro a custas de oportunidades que vão deixar os mais pobres de fora.

Che e Fidel Castro não eram comunistas, eles eram revolucionários. Eles não tinham rabo preso com ninguém, nem com EUA e nem com União Soviética. Por conta disso, eles eram imprevisíveis. E isso deixava todo mundo de cabelo em pé. Ninguém sabe ao certo qual será o próximo passo de alguém que não deve nada a ninguém. A sociedade em que vivemos não gosta de gente assim. Mas é exatamente isso que faz de alguém um verdadeiro revolucionário, não ter rabo preso nem com a direita nem com a esquerda. O verdadeiro revolucionário tem rabo preso com a causa que tanto defende, com o objetivo que tanto quer atingir.

O revolução de Che era sobre devolver a ilha para os pobres que foram obrigados a se submeter a trabalhar em sub-empregos para os invasores gringos apoiados pela ditatura de Batista.

Che é tão cultuado no mundo inteiro quarenta anos depois da sua morte porque entre outras coisas, ele tinha apenas 30 anos de idade quando venceu a revolução Cubana a frente de 200 guerrilheiros maltrapilhos e empreendedores contra o exército de 40 mil militares funcionários públicos de Batista.

O que você acredita que é mais importante na vida para fazer e acontecer alguma coisa?

Tempo, dinheiro ou energia?

Energia, é claro!

Energia, esse fator X que move as pessoas e as transformam em feras enlouquecidas e incansáveis rumo a um objetivo aparentemente impossível de se realizar para os maricóns meia bomba que eventualmente estão cheios de tempo e dinheiro.

Os guerrilheiros de Che e Fidel Castro passaram por todo tipo de provação no período em que se misturaram com a floresta no meio das batalhas com o exército. Apesar da falta de homens – e frente a possibilidade de enfrentar milhares de soldados do exército cubano apoiados por americanos e soviéticos -, Che sabia que alguns guerrilheiros não tinham o espírito necessário para tocar a revolução em frente. Ele então reunia a tropa para sessões frequentes de deserção forçada.

“Vocês terão outra chance como essa somente daqui um mês”, dizia Che, “Se alguém tá afim de desistir, que desista agora. Dê um passo à frente , largue as suas armas, suas roupas e caia fora. A revolução que estamos fazendo aqui não é lugar para maricóns.”.

Empreendedorismo é para poucos. Empreendedorismo não é lugar para maricóns e suas desculpas furadas sobre porque não dá para fazer alguma coisa. Os maricóns não servem para empreender. Maricóns servem para trabalhar em lugares onde existem tempo e dinheiro de sobra. Maricóns cabem em grandes empresas com grandes escritórios onde é possível se esconder atrás de uma tela de 21 polegadas ou de um mega departamento por anos a fio até alguém notar que o maricón é um grande maricón.

Uma pequena e média empresa não pode se dar ao luxo de ter maricóns no seu quadro de empreendedores. Se uma empresa com vinte pessoas tiver quatro maricóns, essa empresa tem 20% da sua força de trabalho com energia meia boca.

O negócio é emparedar a turma a cada três meses e cortar fora todos os maricóns que atrasam a vida dos empreendedores que querem fazer a empresa avançar. Rapa fora com os maricóns! Empareda os maricóns!

Acredite, você precisa de energia. Energia leva ao tempo que leva ao dinheiro.

“Nós fuzilamos, e continuaremos a fuzilar se preciso for”.

Visualize a situação. Che e Fidel ganham a revolução, chegam em Havana, entram no palácio do safado do Batista.

O que eles deveriam fazer em seguida? Ligar para os juízes, advogados, deputados, vereadores, jornais, e polícia local para prender o Batista e sua turma de corruptos?

Como isso seria possível se todos os juízes, advogados, deputados, vereadores, jornais e polícia local também faziam parte da rede de corrupção que mantinham o safado do Batista no poder?

Che fez o que todo brasileiro sonha em fazer: ele emparedou todos os maricóns safados que roubaram a ilha durante 20 anos e passou fogo neles. Em 1959 ainda não havia uma consciência global sobre direitos humanos ou proteção contra corruptos e safados. Hoje essa consciência já existe. Se um deputado safado em um país de terceiro mundo como Brasil rouba 100 milhões de reais do povo, o cara fica solto, não precisa devolver o dinheiro; o cara não perde o mandato, e muito menos é preso, nada acontece com o safado. Nada acontece porque todos aqueles que fazem parte do poder tem o rabo preso com o cara, e então, o cara se livra. Che não queria que isso acontecesse com Cuba, então, ele decidiu empareder os maricóns e passar fogo neles.

Nós aqui do Brasil temos uma imagem ruim de Cuba, Fidel Castro e Che porque – entre outras coisas – a revolução Cubana prejudicou gente poderosa que tem filiais no Brasil. A Igreja Católica Apóstolica Romana, por exemplo, perdeu o seu status de religião oficial em Cuba, e teve que devolver todos os bens que havia acumulado no país quando a revolução ganhou a guerra. Diferente do Brasil, onde somos levados a seguir uma determinada religião, em Cuba a escolha da religião é livre. Como a Igreja Católica Apostólica Romana tem um grande poder no Brasil, sabe-se lá qual é a história que eles vem contando nas últimas décadas sobre Cuba.

É muito fácil para nós da classe média alta de um país como o Brasil que nunca brigou por nada para ter nada dizer que o cara fez alguma coisa errada, entretanto, você precisa considerar as circunstâncias da época, a evolução do ser humano da época, e tudo que havia em volta.

Até Che e Fidel Castro aparecerem no pedaço, Cuba não passava de uma ilhota desconhecida no meio do Caribe. A América Central e o Caribe estão cheios de ilhotas e países como Cuba.

Haiti, Honduras, El Salvador, Guatemala, República Dominicana, Panamá e tantos outros ilustres pobres miseráveis e desconhecidos são explorados e massacrados há décadas pelo homem branco que rouba dessa turma porque eles são exatamente isso: ilustres desconhecidos abandonados pelo mundo.

Quem entre nós liga para o futuro de Honduras, ou El Salvador ou ligava para o futuro do Haiti – até acontecer o terremoto recente? Ninguém. Quando ninguém se importa com gente pobre, quando a humanidade abandona os seus irmãos mais necessitados, o pior do homem branco vai até esses lugares e os transformam em um inferno maior do que já são.

Se a revolução Cubana não tivesse explodido em Cuba, hoje os caras estariam tão ruins quanto o Haiti. O levante dos jovens estudantes revolucionários contra a corrupção, o capitalismo e o socialismo distorcidos por uma ditadura semelhante ao que temos aqui no Brasil, colocou Cuba no mapa e mudou a vida da ilha.

Hoje nós temos a imagem de uma Cuba caindo aos pedaços.

Muitos acreditam que a ilha caí aos pedaços porque Fidel Castro não passa de um comunista safado milionário que explora o povo ou mata a turma que é do contra. Mas não é nada disso. Fora o embargo dos EUA, o que rola por lá é uma questão mais filosófica: Por que viver em uma sociedade que valoriza aqueles que tem dinheiro para trocar o carro todos os anos? Por que viver em uma sociedade onde a muher mais bacana é aquela que troca de geladeira todos os anos? Por que viver em uma sociedade onde a melhor criança é aquela que tem mais Barbies ou mais cartuchos de videogames? Por que eu deveria viver em um lugar onde TER é mais importante do que SER?

Eu sou capitalista. Não me entendam mal. Eu sou a favor do Individualismo, da Liberdade total de cada um de nós ir e vir, do Empreendorismo e da Filosofia da Energia. É por isso mesmo que não é possível negar – como John F Kennedy fez – o valor dos ideais pelo qual Che viveu e morreu.

Na estrada rumo a Havana, praticamente vitoriosos da guerra da revolução, passa por Che um carro esporte conversível vermelho e branco último tipo lotado de seus guerrilheiros, “Ei Che, ganhamos a revolução, vamos invadir Havana!”, gritaram os guerrilheiros em disparada, Che então pede para o motorista do jipe meia boca em que ele estava para acelerar e alcançar o carro esporte. Depois de uma certa perseguição, Che desce do jipe e vai até os guerrilheiros felizes da vida no carro sem capota. “Onde vocês conseguiram esse carro?”, “Nós pegamos da casa do chefe de polícia de Santa Clara” respondem os guerrilheiros, “Então vocês vão até lá devolver. Nós não estamos fazendo essa revolução para vocês entrarem em Havana dirigindo um carro roubado. Voltem para Santa Clara, devolvam o carro, e entrem em Havana a pé.”. Os guerrilheiros deram a meia volta com o carro e voltaram para Santa Clara.

A sociedade em que vivemos é construida todos os dias por homens brancos corruptos em busca de uma oportunidade de explorar os esquecidos, por maricóns a procura de sombra e água fresca em um local onde ninguém cobra muita coisa deles, e por empreendedores revolucionários que vivem e morrem pela oportunidade de mudar para melhor a vida das pessoas.

Quem é você?

Você é um maricón, um homem branco safado ou um empreendedor?

Qual é a sua revolução?

Você tem alguma?

“Aqueles que não tem coragem de morrer por uma causa, não merecem viver.” Martin Luther King.

NADA MENOS QUE ISSO INTERESSA!

QUEBRA TUDO! Foi para isso que eu vim! E Você?
Ricardo Jordão Magalhães
Derrota após derrota até a vitória final

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