Epicteto reflete sobre o encontro


Texto de Paulo Coelho no livro “Histórias para pais, filhos e netos”

Epicteto, que viveu entre 55 e 135, nasceu escravo e se tornou um dos grandes filósofos de Roma. Foi expulso da cidade no ano 94, junto com os outros filósofos, e no exílio criou uma maneira de ensinar a seus discípulos, o que chamou de a Arte de viver:

Duas coisas podem acontecer quando nos encontramos com alguém: ou nos tornamos amigos, ou tentamos convencer essa pessoa a aceitar nossas convicções. O mesmo acontece quando a brasa encontra um outro pedaço de carvão: ou compartilha seu fogo com ele, ou é sufocada por seu tamanho e termina se extinguindo.

Como, em geral, ficamos inseguros num primeiro contato, tentamos a indiferença, a arrogância, ou a excessiva humildade. O resultado é que deixamos de ser quem somos, e as coisas passam a se dirigir para um estranho mundo que não nos pertence.

Para evitar que isso aconteça, permita que seus bons sentimentos sejam logo notados. A arrogância muitas vezes é uma máscara banal da covardia, mas termina impedindo que coisas importantes floresçam em sua vida.

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