BOA LEITURA


Brinquedos que sentem


Com o mundo predominantemente material, o perfil da solidariedade segue a linha de bens de consumo


Por Tatiana Martins Alméri*

Nesta época de mudança de ano aflora-se o sentimento de solidariedade entre as pessoas. A visão de uma possibilidade de mudança, de conquistas e de uma nova vida faz com que as pessoas se unam em busca de um mundo melhor ou pelo menos mais justo. Pensase em todos e na possibilidade de um país integrado; a competitividade, fundamental do Sistema Capitalista, parece que fica um pouco apagada. A luz vital acaba alumiando outros setores, nas confraternizações os relacionamentos parecem verdadeiros e o vínculo entre as pessoas parece real.

As campanhas de arrecadação de brinquedos, comidas, dinheiro, enfim, coisas materiais se concretizam e fundamentam uma realidade quase sempre material. Atualmente, no mundo das “coisas”, fazse solidariedade basicamente doando essas “coisas”, algo material e concreto, destinado à objetividade funcional. A filantropia, portanto, permeia-se em materialismos históricos, bases concisas de atos objetivos sem necessariamente uma reflexão aprofundada da desconexão social, dos problemas relacionados ao subdesenvolvimento, das reais necessidades de um ano todo, de uma vida, das pessoas que estão sendo ajudadas naquele momento, e muitas vezes acaba promovendo somente o “desencargo de consciência” dos doadores: “FIZ A MINHA PARTE”.

“Pensar na água, na poluição, na educação e no próximo também é um ato solidário, e somente as atuações conscientes podem concretizá-los”

Aqui, a reflexão é para ressaltar que a solidariedade não precisa necessariamente ser baseada em coisas materiais, ela pode se fundamentar em atos, pontos subjetivos de relacionamentos sociais. As atuações no trânsito, no dia a dia do trabalho, em casa, com as pessoas que relaciona e também com relação à humanidade. Pensar na água, na poluição, na educação e no próximo também é um ato solidário, e somente as atuações conscientes podem concretizá-los. Daí sim poderemos complementar com a solidariedade material. No mundo precisamos de coisas materiais, elas são bemvindas, porém, a subjetividade também é essencial e está sendo esquecida. Assim, muitas vezes, um complementando o outro, atos e palavras fazem com que aquele brinquedo (coisa) se torne mais especial do que necessariamente é.

* TATIANA MARTINS ALMÉRI é socióloga, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC,
mestre em Sociologia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP e integrante do corpo
docente da Universidade Paulista – Unip e da Faculdade de Tecnologia de São Paulo – FATEC (taalmeri2@hotmail.com

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