Diferença entre querer e poder…


Entre a vontade, a aptidão e a capacitação


“Em se tratando de empreendedorismo, é preciso evitar que a paixão, a crença e a preferência pessoal contaminem as decisões empresariais(…)”

Empreender é uma questão de vontade, de aptidão natural ou de capacitação adquirida? René Descartes, célebre filósofo francês, defendia a teoria do inatismo, que consistia na idéia de que já nascemos com determinadas habilidades e aptidões.

Nessa concepção, portanto, o ser humano poderia trazer consigo, desde o berço, a intuição necessária ao desenvolvimento do empreendedorismo. Os filósofos empiristas ingleses (Locke, Hume, entre outros), entretanto, alegavam o contrário, afirmando que o conhecimento e a habilidade derivam exclusivamente da experiência humana.

Nesse caso, o empreendedorismo seria fruto de uma capacidade adquirida a partir das experiências vividas e percebidas ao longo da vida. Já o alemão Immanuel Kant, tenta resolver o dilema: o conhecimento é sim resultado da experiência, mas configurado em harmonia com elementos presentes a priori no espírito humano.

Não há dúvida de que para empreender é necessária disposição pessoal, seja inata ou adquirida. É preciso ter vontade de empreender. Quem faz o que gosta tende a fazer com prazer e satisfação. Sem dúvida que há relação entre desejo e sucesso no empreendedorismo.

É bem menos provável que alguém consiga fazer bem o que não gosta de fazer. Quem faz o que gosta busca fazer o melhor. As vantagens são evidentes: a força de vontade em acertar, o forte desejo de sucesso que é impulsionado pelo prazer que a atividade proporciona. Mas uma coisa é gostar de fazer algo. Outra, é saber fazer.

O simples gostar tem suas limitações: o desejo de acertar não garante o acerto. Em um mundo de alta complexidade, torna-se indispensável associar a vontade ao conhecimento e à técnica. Em um país como o Brasil, de má distribuição de oportunidades e de enormes restrições materiais ao empreendedorismo (falta de financiamentos, por exemplo), a compreensão da realidade exige cuidado redobrado na forma de estudos, pesquisas e análises.

Em se tratando de empreendedorismo, é preciso evitar que a paixão, a crença e a preferência pessoal contaminem as decisões empresariais, muitas vezes pautadas por objetivos racionais externos à nossa vontade pessoal. Ou seja, as soluções de nossa preferência pessoal podem não ser aquelas mais adequadas para o empreendimento.

Nesse sentido, o desejo pessoal pode funcionar como uma armadilha do pensamento, que nos leva a tomar decisões que não necessariamente são as melhores ou as mais racionais. Em outras palavras, as decisões empresariais mais acertadas podem não coincidir com a nossa vontade pessoal.

O mundo digital avança


Democratização dos meios digitais dissemina a utilização das mídias sociais

Sabemos que a Internet surgiu comercialmente na década de 1980 e que houve grande estardalhaço que antecedeu a bolha no início da década seguinte. Porém, o que se percebe hoje é um crescimento muito mais consistente, devido, principalmente, à democratização dos meios digitais e à produção de conteúdos pelo usuário.

Essa democratização, unida a ferramentas de grande poder de disseminação como o Twitter e aos aparatos celulares tem provocado um movimento muito interessante: a percepção de que não se pode mais ficar de fora dessa realidade. Aqueles que ainda não se utilizam dessas ferramentas parecem muitíssimo incomodados, buscando se atualizar de forma quase urgente.

O Twitter, mais do que outras ferramentas, trouxe esse senso de urgência, pois se disseminou de forma muito rápida. Embora ele exista há mais de três anos e tenha sido concebido com outro propósito, foi no final de 2008 que teve seu uso intensificado por parte dos brasileiros e passou a ser empregado por muitas empresas para gerar negócios, como é o caso de uma construtora que vendeu um apartamento por meio dele.

Por que essa modalidade de relacionamento digital hoje impacta a vida até mesmo de quem ainda nem aderiu a ela? Porque curiosamente ela está associada a muitas atividades que ocorrem à nossa volta, como o nosso presidente da República que criou perfis em redes sociais e também está no Twitter, ou então porque está sendo usada até mesmo para a organização de protestos como se viu no caso das eleições no Irã ou na Moldávia.

O Twitter é mais dinâmico do que outras ferramentas e por isso pode ser considerado um medidor de tendências ou como um termômetro para empresas acompanharem crises. Ele pode, inclusive, ser utilizado para sentir a evolução de alguma epidemia, como a gripe A, popularmente conhecida como suína. No mundo empresarial, algumas companhias que já faziam acompanhamento de suas marcas nas redes sociais, hoje incluíram também os microblogs (outro nome dado ao Twitter, pois ele permite até 140 caracteres apenas) nessas análises.

Empresas como a Dell estão utilizandoo para vender produtos e solucionar problemas dos clientes. A fabricante de eletrônicos, LG também utiliza-o para fazer promoções instantâneas e até mesmo a IBM, para facilitar a comunicação entre seus cientistas pelo mundo afora. No Brasil, o grupo B2W, responsável pelas marcas Submarino e Americanas.com, também está presente, pois mais de oito mil pessoas optaram por receber promoções via Twitter.

Além disso, há empresas que têm se perpetuado na Internet por estarem sempre inovando, como é o caso da Amazon, que utiliza a chamada “web semântica” para vender cada vez mais produtos. Essa nova definição da web é o uso inteligente do cruzamento de informações para levar ofertas de forma segmentada a cada tipo de consumidor, gerando, obviamente, resultados muito mais efetivos

BOA LEITURA


Brinquedos que sentem


Com o mundo predominantemente material, o perfil da solidariedade segue a linha de bens de consumo


Por Tatiana Martins Alméri*

Nesta época de mudança de ano aflora-se o sentimento de solidariedade entre as pessoas. A visão de uma possibilidade de mudança, de conquistas e de uma nova vida faz com que as pessoas se unam em busca de um mundo melhor ou pelo menos mais justo. Pensase em todos e na possibilidade de um país integrado; a competitividade, fundamental do Sistema Capitalista, parece que fica um pouco apagada. A luz vital acaba alumiando outros setores, nas confraternizações os relacionamentos parecem verdadeiros e o vínculo entre as pessoas parece real.

As campanhas de arrecadação de brinquedos, comidas, dinheiro, enfim, coisas materiais se concretizam e fundamentam uma realidade quase sempre material. Atualmente, no mundo das “coisas”, fazse solidariedade basicamente doando essas “coisas”, algo material e concreto, destinado à objetividade funcional. A filantropia, portanto, permeia-se em materialismos históricos, bases concisas de atos objetivos sem necessariamente uma reflexão aprofundada da desconexão social, dos problemas relacionados ao subdesenvolvimento, das reais necessidades de um ano todo, de uma vida, das pessoas que estão sendo ajudadas naquele momento, e muitas vezes acaba promovendo somente o “desencargo de consciência” dos doadores: “FIZ A MINHA PARTE”.

“Pensar na água, na poluição, na educação e no próximo também é um ato solidário, e somente as atuações conscientes podem concretizá-los”

Aqui, a reflexão é para ressaltar que a solidariedade não precisa necessariamente ser baseada em coisas materiais, ela pode se fundamentar em atos, pontos subjetivos de relacionamentos sociais. As atuações no trânsito, no dia a dia do trabalho, em casa, com as pessoas que relaciona e também com relação à humanidade. Pensar na água, na poluição, na educação e no próximo também é um ato solidário, e somente as atuações conscientes podem concretizá-los. Daí sim poderemos complementar com a solidariedade material. No mundo precisamos de coisas materiais, elas são bemvindas, porém, a subjetividade também é essencial e está sendo esquecida. Assim, muitas vezes, um complementando o outro, atos e palavras fazem com que aquele brinquedo (coisa) se torne mais especial do que necessariamente é.

* TATIANA MARTINS ALMÉRI é socióloga, formada pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC,
mestre em Sociologia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP e integrante do corpo
docente da Universidade Paulista – Unip e da Faculdade de Tecnologia de São Paulo – FATEC (taalmeri2@hotmail.com

Idéia que merece aplausos


Salas de teatro são as novas apostas dos shoppings para atrair o público para as compras e o entretenimento

Mais que centros de compras, os shopping centers estão se tornando ótimos locais de entretenimento. Prova disso é o número crescente de salas de cinema, restaurantes, boliches e centros de diversão. Para aumentar ainda mais a gama de lazer, diversos shoppings estão inaugurando teatros em suas dependências. Os estabelecimentos de São Paulo têm apostado neste tipo de oferta, que atraem público maior pelas vantagens em relação aos teatros de rua, como segurança, comodidade e o conjunto de serviços encontrados em um mesmo local, como gastronomia e lojas.

O pioneiro nesta ação na capital paulista foi o Shopping Frei Caneca. O conceito de criar um complexo que unisse gastronomia, compras e lazer, incluindo salas de teatro surgiu ao mesmo tempo com o projeto do próprio Shopping. “O shopping foi projetado já com esta opção a mais de entretenimento, e não incluída depois como outros lugares, por estar situado em uma região com um público muito cultural”, explica a gerente de Marketing, Simone Castelli. Há oito anos em funcionamento, o local conta com duas salas: a Frei Caneca e a Nair Bello. Esta última foi criada sob coordenação e direção do ator Wolf Maya, e além de receber peças teatrais, o local abriga a Escola de Atores Wolf Maya, voltada ao treinamento de profissionais para televisão, teatro e cinema.

“Com esta oferta de entretenimento completa, todos saem ganhando. Os clientes se sentem atraídos pela oferta que o conjunto proporciona. A facilidade de ter restaurantes ao lado do teatro, a segurança e a comodidade de ter um estacionamento próprio e coberto, além das inúmeras opções de compras. E isso, sem dúvida, é muito positivo para os lojistas, já que os clientes chegam cedo para assistir à peça, andam pelo local e acabam comprando alguma coisa”, analisa Simone.

A facilidade de ter o teatro em um local que é considerado uma das opções de lazer mais comuns entre os paulistanos também faz com que o interesse em optar por este tipo de programação aumente. “Sem dúvida, isso ajuda a aumentar o gosto da população pelas peças teatrais”, avalia a gerente do Frei Caneca.

50% DAS DOAÇOES BRASILEIRAS AINDA NAO AJUDAM O HAITI,SAIBA PORQUE:


Quase 50% das doações brasileiras

ao Haiti não têm utilidade imediata

da Folha de S.Paulo, em Brasília

Grande parte das doações feitas pelos brasileiros para ajudar o Haiti ainda não tem como ser enviada ao país por estar fora da lista de extrema necessidade.

Até ontem, a Defesa Civil recebeu 553 toneladas dos mais variados tipos de alimento, bebidas e produtos de higiene pessoal. Desse total, 230 toneladas são arroz e feijão, mas os haitianos não têm condições de cozinhar pela destruição de grande parte das casas e pela falta de gás. A remessa desses produtos ficará para depois.

Por isso, o governo estabeleceu uma lista de prioridades de doações, como comidas enlatadas, bebidas engarrafadas e barras de cereal.

Chegaram à Defesa Civil 400 mil barras de cereal (equivalentes a 11,45 toneladas), 80 toneladas de enlatados, como carne, atum, sardinha e salsichas, 115 toneladas de cestas básicas e 27 toneladas de bebidas.

Outras 89,6 toneladas de doações se referem a colchonetes, cobertores, barracas, rolos de lona de plástico e kits de higiene pessoal.

Em medicamentos, o governo brasileiro recebeu 150 toneladas que serão enviadas neste fim de semana ao Haiti. Foram doados anti-inflamatórios, antibióticos e analgésicos.

Na próxima semana, os primeiros profissionais de saúde voluntários embarcarão em um porta-aviões italiano para o Haiti para dar atendimento à população. A equipe é formada na maioria por cirurgiões, enfermeiros e anestesistas.

O porta-aviões funcionará como um hospital e ficará sob as orientações da missão brasileira no país. Os médicos ficarão cerca de 30 dias a bordo.

Os alimentos estão sendo enviados em voos da FAB (Força Aérea Brasileira).

O embaixador do Brasil no Haiti, Igor Kipman, estima que será preciso esperar pelo menos três meses para dar início à reconstrução do país. Até lá, a ajuda humanitária vai mobilizar todas as tropas da Minustah, a missão de paz da ONU.

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